O estádio Morenão, em Campo Grande, pode voltar a receber partidas de futebol em janeiro de 2027, segundo o presidente da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul, Estevão Petrallás. Em entrevista ao Jornal Ronda do MS, da Jota FM, nesta segunda-feira (10), ele afirmou que a troca do gramado e a modernização do sistema de irrigação estão em andamento como parte de um projeto estimado em quase R$ 1 milhão.
A expectativa do dirigente é que o novo gramado esteja pronto até o fim de novembro e que o estádio seja reaberto em 9 de janeiro. Petrallás afirmou que, inicialmente, o espaço será utilizado para partidas de futebol, enquanto outras atividades, como shows, dependerão da adequação da estrutura e do calendário esportivo.
"É a minha grande expectativa, para que a gente possa reabri-lo em 9 de janeiro de 2027", afirmou. Segundo ele, os vestiários estão praticamente concluídos e ainda serão feitos ajustes para garantir a segurança dos jogadores durante o acesso ao campo.
A reforma também prevê a substituição dos bancos de reservas e melhorias na irrigação. "Hoje, nesse exato momento, o sistema de irrigação está sendo finalizado", disse o presidente da FFMS.
Outro projeto citado por Petrallás é a estrutura que será entregue pela Confederação Brasileira de Futebol em Campo Grande por meio do chamado legado CBF-FIFA. A obra, estimada em R$ 14 milhões a R$ 15 milhões, fica na saída para Rochedinho e deverá ser inaugurada no início de setembro, com a presença da direção da CBF e de ex-jogadores campeões mundiais.
A Federação também prepara a Copa MS, competição que deve reunir clubes das Séries A e B. "Já existe a pré-disposição de três clubes da Série B e três clubes da Série A", afirmou Petrallás. A competição está prevista para ter início em meados de outubro.
O torneio terá como principal atrativo esportivo uma vaga na Copa do Brasil de 2027. A competição também foi planejada para servir de preparação para o Campeonato Sul-Mato-Grossense da Série A do próximo ano.
A Série B, encerrada recentemente, foi apresentada pelo dirigente como uma das mudanças no calendário estadual. A competição teve oito equipes e adotou limite de idade que permitiu a participação predominante de jogadores Sub-23, além de distribuir R$ 50 mil em premiação, sendo R$ 30 mil para o campeão e R$ 20 mil para o vice.
"Acaba o Sub-20 e os atletas não conseguem migrar para o profissional da Série A. É uma oportunidade para eles jogarem e criarem casca", explicou Petrallás sobre a criação do torneio. A intenção, segundo ele, é criar uma etapa intermediária para jogadores que deixam as categorias de base e ainda não conseguem espaço no futebol profissional.
A Federação espera ampliar a Série B para 10 a 12 equipes em 2027. Petrallás também defendeu a manutenção de um calendário mais longo para evitar que atletas sejam contratados apenas durante os períodos dos campeonatos. Para ele, as competições precisam ocupar boa parte do ano para permitir a manutenção dos elencos e dar maior exposição aos jogadores.
A formação de atletas também aparece como uma das prioridades da entidade. Petrallás defendeu maior participação das prefeituras nas categorias de base e citou projetos em municípios como Três Lagoas, Dourados, Corumbá, Bataguassu e Glória de Dourados.
"Eu estou fazendo esse trabalho até de forma institucional, pedindo que o prefeito incentive a categoria de base", afirmou. A ideia é ampliar a participação de jogadores formados nos próprios municípios e criar caminhos para que eles cheguem ao futebol profissional.
No futebol feminino, o presidente reconheceu que a modalidade ainda é um dos principais desafios da Federação. A entidade pretende criar competições nas categorias Sub-15, Sub-17 e Sub-20 com apoio do projeto CBF Transforma.
"Nós vamos ter que começar a formar essas meninas na base", declarou Petrallás. Atualmente, segundo ele, as jogadoras do Estado têm poucas oportunidades de formação antes de chegarem às competições adultas.
O dirigente também falou sobre a expansão do futebol no interior e defendeu que os clubes tenham projetos permanentes, em vez de concentrarem suas atividades apenas nos três meses de competição. Ele citou a abertura de novos clubes e a participação de equipes de municípios distantes de Campo Grande como parte da estratégia de ampliar o alcance da Federação.
A profissionalização dos clubes por meio das Sociedades Anônimas do Futebol também foi abordada. Petrallás citou Operário, Futebol Clube Pantanal, EMS Fênix e outros projetos, mas ressaltou que a transformação jurídica não garante, sozinha, o crescimento das equipes.
"A SAF não resolve tudo", afirmou. Para o dirigente, os clubes precisam combinar investimento financeiro com gestão profissional e utilizar os campeonatos como vitrine para a valorização e negociação dos atletas.
Petrallás afirmou ainda que a Federação busca ampliar as premiações e atrair novos parceiros para o Campeonato Sul-Mato-Grossense. A Série A de 2027 terá os dez clubes, enquanto a entidade trabalha para aumentar o número de competições e criar um calendário que mantenha jogadores e equipes em atividade durante mais meses do ano.
Confira a íntegra da entrevista com Estevão Petrallás:

O presidente da FFMS, Estevão Petrallás concedeu entrevista à Jota FM nesta segunda-feiraFoto: Maria Eduarda Paes/FFMS
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