A Câmara dos Deputados terá uma mudança significativa em sua composição a partir de fevereiro de 2027. Dos 513 parlamentares eleitos neste domingo (4), 183 exercerão o primeiro mandato na Casa, enquanto outros 29 ex-deputados federais voltarão ao Parlamento. Juntos, eles representam 212 cadeiras que não estavam ocupadas pelos mesmos parlamentares na atual legislatura, o equivalente a 41,3% da Câmara.
O número de 183 novos deputados corresponde a uma taxa de renovação de 35,67% quando considerados os parlamentares em primeiro mandato. O índice ficou abaixo do registrado na eleição de 2022, quando 39,3% dos eleitos eram estreantes na Câmara.
A próxima legislatura terá início em 1º de fevereiro de 2027 e seguirá até 31 de janeiro de 2031. Ao todo, 301 deputados que já ocupam cadeiras na atual legislatura conseguiram a reeleição.
A nova composição também apresenta mudanças importantes na representação de diferentes grupos da sociedade, com destaque para o aumento da bancada feminina e a redução no número de parlamentares pretos, pardos e indígenas.
Bancada feminina bate recorde
A presença feminina na Câmara dos Deputados alcançou o maior número da história. Foram eleitas 108 mulheres para a próxima legislatura, 17 a mais do que as 91 eleitas em 2022.
O crescimento representa aumento de 18,68% na bancada feminina. Apesar do avanço, as mulheres ainda ocuparão pouco mais de um quinto das 513 cadeiras da Câmara.
A nova composição reúne parlamentares de diferentes partidos e correntes políticas, ampliando a presença feminina no Legislativo federal.
Representação de pretos e pardos recua
Os dados eleitorais também mostram redução na quantidade de deputados federais autodeclarados pretos e pardos.
Foram eleitos 135 parlamentares desse grupo, equivalente a 26,3% das cadeiras da Câmara. Em 2022, haviam sido eleitos 139 deputados pretos e pardos.
A redução representa quatro cadeiras a menos em relação à composição eleita no pleito anterior.
Durante as eleições de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral registrou mais de 10 mil candidaturas de pessoas negras para diferentes cargos.
Bancada indígena também diminui
A representação indígena na Câmara Federal será menor na próxima legislatura. Apenas três candidatos autodeclarados indígenas foram eleitos para mandatos de quatro anos.
Foram eleitos Paulo Guedes (PT-MG), Juliana Cardoso (PT-SP) e Sônia Guajajara (PSol-SP).
Em 2022, cinco indígenas haviam conquistado cadeiras na Câmara. Com isso, a bancada indígena passa de cinco para três parlamentares.
A redução ocorre apesar de o pleito deste ano ter registrado 73 candidaturas indígenas ao cargo de deputado federal.
PL terá maior bancada
Na composição partidária, o Partido Liberal (PL) terá a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 121 parlamentares eleitos.
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, terá 88 deputados. Em seguida aparece a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, com 87 cadeiras.
O PSD terá 43 deputados, seguido por Republicanos, com 41, e MDB, com 36.
Também terão representação na Câmara o Podemos, com 27 deputados; PSB, com 15; Federação PSol/Rede, com 15; PSDB/Cidadania, com 11; Novo, com 10; PRD/Solidariedade, com 7; PDT, com 6; Avante, com 5; e Missão, com 1.
A distribuição das cadeiras mostra uma Câmara formada por diferentes partidos e federações, com as maiores bancadas concentrando parcela significativa da representação parlamentar.
Nikolas supera 3 milhões de votos
A eleição também estabeleceu novos números expressivos de votação individual para a Câmara.
Nikolas Ferreira (PL-MG), de 30 anos, foi reeleito com mais de 3,11 milhões de votos e passou a ocupar o primeiro lugar entre os deputados federais mais votados da história do país.
Na eleição de 2022, Nikolas também havia sido o deputado federal mais votado, quando recebeu aproximadamente 1,47 milhão de votos.
O segundo maior número de votos em 2026 foi obtido por Lucas Pavanato (PL-SP), que ultrapassou a marca de 3 milhões de votos.
Entre as mulheres, Erika Hilton (PSol-SP) foi a mais votada para a Câmara, com mais de 1,59 milhão de votos.
O que muda na próxima legislatura
A nova Câmara começa 2027 com uma combinação de continuidade e renovação. A maioria dos deputados eleitos será formada por parlamentares que permanecerão na Casa, já que 301 conseguiram a reeleição.
Ao mesmo tempo, 183 estreantes e 29 deputados que já exerceram mandato anteriormente voltarão a ocupar cadeiras no Parlamento.
A mudança também será percebida na composição partidária, na presença feminina e na representação de diferentes grupos raciais e étnicos.
Os novos deputados terão mandato de quatro anos e participarão das decisões do Congresso Nacional a partir de fevereiro de 2027, incluindo a análise de projetos de lei, orçamento federal, fiscalização do Executivo e demais matérias de competência da Câmara.

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