A Operação Mata Atlântica em Pé identificou 348,67 hectares de desmatamento ilegal em Mato Grosso do Sul durante a edição de 2026. As ocorrências foram distribuídas por 15 municípios e resultaram em R$ 1.521.044 em multas aplicadas pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul).
A fiscalização analisou 18 alertas de desmatamento a partir de dados processados remotamente. O trabalho foi realizado entre os dias 17 e 27 de agosto e integrou uma das maiores ações de fiscalização ambiental do país, reunindo Ministérios Públicos, órgãos ambientais e forças policiais de 17 estados abrangidos pelo bioma Mata Atlântica.
Em Mato Grosso do Sul, o Ministério Público Estadual (MPMS) participou da análise e validação dos alertas por meio do Núcleo de Geotecnologias (Nugeo).
Um dos principais resultados da operação foi a redução expressiva da extensão das áreas desmatadas em comparação com a edição de 2025. A utilização de tecnologia permitiu identificar e confirmar as áreas com maior agilidade, fortalecendo a atuação dos órgãos de fiscalização.
Fiscalização com tecnologia
O Nugeo utilizou ferramentas de geotecnologia, sensoriamento remoto e imagens de satélite para verificar os alertas antes do encaminhamento das informações ao Imasul.
Após a validação técnica, o órgão ambiental realizou as autuações de forma remota, sem a necessidade de deslocamento imediato das equipes até as propriedades.
Para o coordenador do Nugeo/MPMS, promotor de Justiça Luciano Loubet, o uso da tecnologia aumenta a capacidade de resposta da fiscalização.
“A validação rápida e precisa dos alertas pelo Nugeo permite que o Imasul atue de forma remota e imediata”.
A metodologia utilizada na operação cruza alertas de satélite com bases cartográficas para verificar a ocorrência de supressão não autorizada de vegetação nativa.
Quando a irregularidade é confirmada, os responsáveis podem receber autos de infração, multas e termos de embargo.
Além das sanções administrativas, os órgãos envolvidos podem instaurar procedimentos para exigir a recuperação das áreas degradadas e apurar responsabilidades nas esferas civil e criminal.
As medidas podem ainda envolver restrições no Cadastro Ambiental Rural (CAR), além da suspensão do acesso a crédito rural e outros instrumentos financeiros.
Ação integrada em 17 estados
A Operação Mata Atlântica em Pé contou com a participação de Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.
A coordenação nacional ficou sob responsabilidade da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa) e do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com apoio da Fundação SOS Mata Atlântica.
O balanço nacional da edição de 2026 foi apresentado na sexta-feira (28), em Belo Horizonte (MG).
Desmatamento registra queda no país
Dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, da Fundação SOS Mata Atlântica, apontam que o Brasil registrou redução de 40% no desmatamento em 2025 em comparação com o período anterior.
Na comparação com 2020 e 2021, a redução chegou a 60%, levando o país à menor taxa de desmatamento registrada em quatro décadas de monitoramento.
O resultado reforça a importância do uso de tecnologia, monitoramento por satélite e atuação integrada dos órgãos públicos para identificar rapidamente áreas com indícios de desmatamento e responsabilizar os envolvidos.

Dados de satélite ajudaram a confirmar 348 hectares de vegetação nativa derrubada de forma ilegal no estado Divulgação
POPULAÇÃOCampo Grande cresce e tem 7ª maior alta entre capitais
Eleições 2026Azambuja lidera disputa pelo Senado nos dois votos em MS
INFRAESTRUTURAGoverno avança para modernizar Morenão com projeto de concessão
PolíticaGerson Claro lidera pesquisa espontânea para deputado estadual