Grupo movimentou R$ 300 milhões em esquema com perfumes do Paraguai

Operação investiga entrada clandestina de mercadorias pela fronteira de Ponta Porã e cumpre 16 mandados em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco

22 SET 2026Por Redação Jota FM10h13
Botão de Compartilhar Facebook

Uma investigação sobre a entrada clandestina de perfumes do Paraguai identificou movimentações financeiras superiores a R$ 300 milhões ligadas aos suspeitos. A apuração aponta que as mercadorias entravam irregularmente no Brasil pela região de fronteira de Ponta Porã e eram distribuídas para outros estados. A operação também investiga suspeitas de descaminho, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

A Operação Perfume de Mulher foi deflagrada nesta terça-feira (22) pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, Ministério Público Federal e Receita Federal. A Justiça Federal autorizou 16 mandados de busca e apreensão, um mandado de prisão e o bloqueio de até R$ 100 milhões em bens e valores. As medidas são cumpridas em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco.

As investigações começaram a partir de apreensões realizadas entre 2024 e 2026, com mais de 20 ocorrências relacionadas ao grupo. Uma delas aconteceu em outubro de 2025 e resultou na retenção de aproximadamente R$ 10 milhões em perfumes importados irregularmente. Os produtos apreendidos eram principalmente de marcas da chamada perfumaria árabe.

Segundo a investigação, os perfumes eram levados para depósitos clandestinos após entrarem no país. Os primeiros pontos identificados ficavam em Campo Grande, mas a distribuição também passou por centros localizados em São Paulo e Pernambuco. A partir desses locais, as mercadorias eram encaminhadas para consumidores de diferentes estados.

As vendas ocorriam principalmente por redes sociais, marketplaces e plataformas de comércio eletrônico. Investigadores também identificaram a participação de influenciadores na divulgação dos produtos. O grupo mantinha ainda um site voltado à comercialização dos perfumes e uma rede de revendedores espalhada pelo país.

A investigação aponta que os envolvidos utilizavam notas fiscais com informações falsas para dar aparência regular às operações. Os investigadores também identificaram empresas de fachada, pessoas usadas como intermediárias e movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica dos envolvidos. Há ainda indícios de ocultação de patrimônio e uso de criptoativos em negociações com fornecedores estrangeiros.

As medidas desta terça-feira mobilizam 130 servidores dos três órgãos envolvidos na operação. São 30 integrantes do MPMS, 50 da Receita Federal e outros 50 do Ministério Público Federal. A ação reúne simultaneamente os Gaecos dos Ministérios Públicos estadual e federal e a Receita Federal pela primeira vez.

Os investigadores buscam reunir novos elementos sobre o funcionamento do esquema e identificar os responsáveis pelas operações financeiras. As medidas também podem resultar na localização de bens e valores que, segundo as apurações, tenham origem nas atividades investigadas. O caso segue em investigação e os órgãos envolvidos ainda devem analisar o material apreendido durante a operação.

Deixe seu Comentário

Leia Também