Heitor Freire voltou ao comando da Santa Casa de Campo Grande em um momento de mudanças na administração do hospital. Ex-presidente da instituição, ele confirmou ontem (22) a retomada da função e afirmou que pretende primeiro entender o cenário encontrado antes de definir os próximos passos.
O retorno acontece em um período de instabilidade desde a prisão da então presidente Alir Terra Lima, ocorrida no contexto da Operação Antidotum, conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
Ao jornal A Crítica, Freire adotou cautela e evitou antecipar medidas administrativas. Para ele, o primeiro passo será reunir informações e compreender a situação antes de estabelecer qualquer encaminhamento.
“Inicialmente, tomar pé da situação. Depois vamos ver. O importante é manter o ritmo de atendimento à população, que nunca deixou de ser prioridade”, explica.
A mudança no comando acontece enquanto a Santa Casa enfrenta os desdobramentos da investigação e precisa reorganizar sua estrutura administrativa. A Operação Antidotum apura suspeitas relacionadas a contratos da instituição e atingiu integrantes da administração do hospital.
A situação provocou alterações recentes na gestão. Heitor Miguel Scheibeler havia assumido nesta semana a presidência após o afastamento de Alir Terra Lima, mas deixou o cargo posteriormente, abrindo espaço para uma nova reorganização da direção.
“A 1ª vez foi em setembro de 2020, ante a renúncia do então presidente e em plena pandemia. Eu, no exercício da vice-presidência, assumi a responsabilidade de conduzir os destinos da nossa Santa Casa. Superamos as dificuldades e cumprimos nosso dever. Agora, em uma situação mais difícil ainda, diante dos acontecimentos que a Santa Casa enfrenta com uma sucessão de renúncias, a presidência mais uma vez se apresenta como uma necessidade imperativa. Decidi assumir essa responsabilidade”, detalha o novo presidente.
A Santa Casa é uma das principais unidades hospitalares de Mato Grosso do Sul e atende pacientes de Campo Grande e de outras regiões do Estado. Diante do atual cenário, a mudança na administração ocorre paralelamente à necessidade de preservar o funcionamento dos serviços e dar sequência ao atendimento.
A sequência de mudanças ganhou força após a prisão de Alir Terra Lima, em 11 de setembro, durante a operação conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), ambos vinculados ao MPMS. Ao todo, seis prisões preventivas foram determinadas, incluindo integrantes da administração da Santa Casa e um empresário.
A investigação apura suspeitas relacionadas a contratos envolvendo a Santa Casa e a operadora Santa Casa Saúde. Todos os suspeitos permanecem presos.
Responsabilidade
Na semana passada, o governador Eduardo Riedel (PP) descartou, neste momento, uma nova intervenção na Santa Casa de Campo Grande e defendeu uma mudança na forma de administrar o hospital.
Na avaliação do governador, uma nova intervenção não resolveria os problemas estruturais e financeiros acumulados pela instituição. Riedel afirmou que a Santa Casa precisa de uma gestão profissional, com maior eficiência e transparência na utilização dos recursos públicos.
O governo estadual prevê repassar cerca de R$ 190 milhões à Santa Casa ao longo do ano. Segundo Riedel, eventuais novos aportes deverão estar vinculados ao cumprimento de metas de produtividade. O governador também citou o passivo da instituição, estimado em aproximadamente R$ 600 milhões, como um dos principais desafios para a recuperação financeira do hospital.

Heitor Freire reassume comando da Santa Casa de Campo GrandeFoto: Reprodução
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