Miriam Comparin destaca acolhimento às famílias durante Julho Âmbar em MS

Presidente da AACC/MS reforça importância do apoio psicológico para famílias enlutadas

07 JUL 2026Por Toni Feitosa - DRT 100607h06
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A presidente e fundadora da AACC/MS, Miriam Comparin Corrêa, destaca que o acolhimento às famílias que perderam um filho deve continuar mesmo após o período mais intenso do luto. A mensagem ganha ainda mais relevância durante o Julho Âmbar, mês dedicado à conscientização sobre o luto parental em Mato Grosso do Sul.

Instituído pela Lei Estadual nº 6.147, de autoria do deputado estadual Lucas de Lima (PL), o Julho Âmbar integra o Calendário Oficial do Estado desde 2023. A iniciativa busca ampliar a conscientização, incentivar políticas públicas, promover informação e fortalecer o acolhimento a mães, pais e familiares que enfrentam a perda de um filho.

Para Miriam Comparin, o suporte emocional não pode terminar quando cessam as homenagens e manifestações de solidariedade.

"Quando uma criança passa pela AACC/MS, ela deixa marcas em todos nós. E quando uma família enfrenta a perda, ela continua precisando de acolhimento. Porque ninguém deveria atravessar essa dor sozinho", afirma a presidente da instituição.

A AACC/MS mantém o grupo Transformando a Dor, criado para oferecer apoio psicológico e um espaço de escuta às famílias que perderam crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer. Os encontros acontecem principalmente de forma online, permitindo que pais e familiares compartilhem experiências, sentimentos e encontrem acolhimento durante o processo de luto. A instituição também disponibiliza acompanhamento psicológico individual para quem necessita de atendimento personalizado.

Segundo a psicóloga da AACC/MS, Rozenilda Barbosa, o sofrimento permanece mesmo quando o assunto deixa de ser tratado pelas pessoas próximas.

"Muitas mães nos contam que, com o passar do tempo, sentem que já não têm mais com quem compartilhar essa saudade. E é justamente por isso que espaços de escuta são tão importantes", explica.

A jornalista e advogada Ana Maria Assis de Oliveira conhece essa realidade. Em 2019, ela perdeu o primeiro filho com nove semanas de gestação e relata que o vazio provocado pela perda permanece na memória de quem vive essa experiência.

"Abre-se um buraco dentro da gente, um vazio. Pensamos em não falar sobre isso, afinal, pode parecer que somos amaldiçoadas, incapazes, não 'seguramos o nosso filho'. Cada mulher vive de uma forma diferente o luto, a perda. Mas se existem dor e delícia em ser mulher, o aborto com certeza faz parte da dor", relata.

Ela conta que sonhou muito com a maternidade e hoje é mãe de Chico, de três anos. Apesar disso, afirma que a perda do primeiro bebê transformou sua forma de enxergar a vida.

"Repassamos na nossa memória cada refeição, a posição que dormimos e até os nossos pensamentos. Onde erramos? Na maior parte das vezes, não encontramos motivo algum. Filhos simplesmente vão embora. E isso pode acontecer, e nós sobrevivemos, com aquele sonho adormecido dentro da gente", diz.

O Julho Âmbar também prevê ações voltadas à capacitação de profissionais da saúde e da educação para oferecer um atendimento mais humanizado às famílias enlutadas, além de campanhas de conscientização e atividades de apoio.

De acordo com dados de 2026 do Painel Mais Saúde do Governo de Mato Grosso do Sul, o Estado registra taxa de mortalidade infantil de 10,81 óbitos por mil nascidos vivos até julho deste ano. Foram contabilizados 16.558 nascidos vivos e 179 mortes de crianças no período.

Desde 1998, a AACC/MS acompanha crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer e oferece assistência às famílias antes, durante e após o tratamento. Em 2025, a instituição realizou 17.910 atendimentos multiprofissionais, assistiu 323 pacientes, registrou 6.346 hospedagens, serviu 31.676 refeições, contabilizou 677 internações no Centro de Tratamento Onco-Hematológico Infantil (Cetohi) e distribuiu 1.338 cestas básicas e sociais.

Para Miriam Comparin, manter viva a memória dos filhos também faz parte do processo de acolhimento.

"Falar sobre quem partiu não prolonga a dor. Prolonga a memória. E toda criança merece ser lembrada pela história que deixou", conclui a presidente da AACC/MS.

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