Mato Grosso do Sul iniciou a preparação da rede de saúde para possíveis impactos do El Niño, que podem aumentar a ocorrência de eventos climáticos extremos e alterar a demanda por atendimento. As ações incluem capacitações nas nove regiões de saúde e simulados para preparar profissionais diante de situações como queimadas, ondas de calor, estiagens e chuvas intensas.
A preocupação também envolve as arboviroses, principalmente dengue e chikungunya. Até 11 de agosto, Mato Grosso do Sul havia confirmado 9.961 casos de chikungunya e 30 mortes pela doença, enquanto a dengue somava 1.933 casos confirmados até a Semana Epidemiológica 31.
As capacitações começaram pela Região Centro e devem alcançar os 79 municípios do Estado. A programação também prevê atividades específicas para profissionais que atendem populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas.
Os treinamentos vão simular situações que podem ocorrer durante períodos de eventos climáticos extremos. Um dos cenários prevê o aumento de pacientes com problemas respiratórios durante queimadas, seguido pela chegada de pessoas com sintomas de dengue ou chikungunya.
As equipes deverão avaliar como reorganizar os atendimentos diante do aumento da procura pelos serviços de saúde. Entre as possibilidades estão o remanejamento de profissionais e a transferência de pacientes, conforme a capacidade de cada município.
A preparação também inclui a revisão dos planos de contingência e a integração entre setores da saúde. Profissionais da Vigilância Epidemiológica, Atenção Primária, rede de urgência e emergência e hospitais participam das atividades.
A Vigilância receberá orientações para identificar e notificar possíveis agravos relacionados às condições climáticas. O objetivo é acompanhar mudanças no cenário epidemiológico e antecipar a necessidade de reorganização dos serviços.
O Estado também prepara um material com orientações para médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem. O conteúdo deve abordar atendimentos relacionados a ondas de calor, secas, queimadas e outros eventos capazes de aumentar a procura pelas unidades de saúde.
As mudanças climáticas também exigem atenção para a proliferação do Aedes aegypti. Durante períodos de seca, os ovos do mosquito podem permanecer em recipientes e voltar a se desenvolver quando entram novamente em contato com a água.
Por isso, a orientação é manter a eliminação dos criadouros mesmo nos períodos sem chuva. Caixas-d'água e reservatórios devem permanecer fechados, enquanto vasos, calhas, pneus e outros recipientes precisam ser verificados para evitar o acúmulo de água.
A preocupação é que diferentes problemas ocorram ao mesmo tempo. Uma estiagem prolongada pode favorecer queimadas e aumentar os atendimentos por doenças respiratórias, enquanto a volta das chuvas pode criar condições para a proliferação do mosquito transmissor da dengue e da chikungunya.
O Ministério da Saúde já alertou estados e municípios para a possibilidade de aumento na transmissão de arboviroses em razão das alterações climáticas. Projeções do InfoDengue, da Fiocruz, estimam cerca de 1,7 milhão de casos de dengue no Brasil em 2027, número que pode ser atualizado conforme novos dados sejam incluídos nos modelos.

Capacitações e simulados vão preparar profissionais para atender impactos de queimadas, calor, chuvas e possível aumento de dengue e chikungunyaFoto: Ilustrativa/Gerada por I.A
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