O Outubro Rosa 2026 reforça um alerta importante em Mato Grosso do Sul: ampliar o acesso aos exames preventivos e transformar a conscientização sobre o câncer de mama em atitudes concretas. Com centenas de novos diagnósticos registrados anualmente, o desafio envolve estimular o acompanhamento médico, facilitar o acesso à mamografia e garantir que as mulheres recebam atendimento em tempo oportuno.
Segundo dados citados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), Mato Grosso do Sul registrou 910 casos de câncer de mama em 2025, com incidência de 62,22 casos por 100 mil mulheres. Para 2026, a estimativa apresentada é de 930 novos casos no Estado.
A campanha também destaca a importância da Lei Estadual nº 4.541/2014, de autoria do deputado estadual Zé Teixeira, que instituiu o Outubro Rosa em Mato Grosso do Sul. A legislação estabelece uma oportunidade para intensificar ações educativas, divulgar informações e incentivar iniciativas voltadas à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer de mama e do colo do útero.
Diagnóstico precoce pode mudar a trajetória da doença
A experiência de Ilma Teodoro demonstra a importância de acompanhar regularmente a própria saúde. Em 2021, ela descobriu um câncer de mama triplo negativo durante os exames periódicos que realizava anualmente.
“Foi justamente esse acompanhamento que ajudou a identificar a doença”, relata.
Após o diagnóstico, Ilma enfrentou diferentes etapas do tratamento, incluindo quimioterapia, mastectomia total com esvaziamento axilar e radioterapia. O processo exigiu força emocional e adaptação a uma nova realidade.
Ela recorda que um dos momentos mais difíceis foi receber o resultado da biópsia e se deparar com a palavra “maligno”. Apesar do impacto inicial, encontrou na fé e na esperança a motivação para seguir adiante.
“Eu não escolhi ter câncer, mas escolhi como enfrentaria o câncer. E escolhi enfrentar com fé, coragem, leveza e esperança”, afirma.
O depoimento reforça a importância de não adiar consultas e exames recomendados pelos profissionais de saúde. Também mostra como o acolhimento familiar e o acompanhamento médico podem fazer diferença durante o tratamento.
Hospital amplia oferta gratuita de exames
Em Campo Grande, o Hospital de Câncer Alfredo Abrão (HCAA), em parceria com a Rede Feminina de Combate ao Câncer, prepara uma mobilização que integra as campanhas Outubro Rosa e Novembro Azul.
Com o tema “Duas cores, um propósito: a saúde da família em dobro!”, a iniciativa pretende incentivar mulheres e homens a priorizarem a prevenção e o diagnóstico precoce.
A abertura oficial está prevista para 14 de outubro, às 9h, em frente ao ambulatório do hospital, localizado na Rua Marechal Rondon, nº 1053, na Capital.
Entre 15 de outubro e 27 de novembro, a instituição prevê oferecer gratuitamente mamografias para mulheres e exames de PSA para homens, de segunda a sexta-feira, exceto feriados. A programação divulgada estabelece a oferta diária de 80 mamografias e 100 exames de PSA.
A presidente do HCAA, Sueli Lopes Telles, explica que a união das campanhas busca ampliar o alcance das ações preventivas e estimular o cuidado com a saúde de toda a família.
A orientação é que os interessados confirmem previamente os critérios de atendimento, a necessidade de agendamento e a disponibilidade dos exames diretamente com a instituição.
Hábitos saudáveis também fazem parte da prevenção
Além do acompanhamento médico, algumas mudanças no estilo de vida podem contribuir para reduzir o risco de câncer de mama. Entre as medidas recomendadas estão a prática regular de atividade física, a manutenção de um peso saudável e a redução do consumo de bebidas alcoólicas.
Nem todos os fatores de risco podem ser modificados. Histórico familiar, características hereditárias e aspectos relacionados à vida reprodutiva também podem influenciar o risco individual. Por isso, a avaliação profissional é importante para orientar os cuidados de acordo com cada situação.
A mamografia é um dos principais métodos utilizados no rastreamento do câncer de mama e pode identificar alterações antes do aparecimento de sintomas. A indicação e a periodicidade do exame devem seguir as orientações de saúde vigentes e considerar a idade e os fatores de risco de cada mulher.
Atendimento também chega a outras regiões do Estado
Além do Hospital de Câncer Alfredo Abrão, Mato Grosso do Sul conta com instituições que desenvolvem ações de prevenção e diagnóstico.
A Associação Beneficente Casa Rosa, em Campo Grande, oferece atendimento voltado à saúde da mulher, incluindo consultas especializadas e procedimentos diagnósticos, conforme os serviços disponíveis.
O Instituto de Prevenção do Hospital de Amor também realiza ações gratuitas, com exames preventivos e atendimento voltado à identificação de alterações que exigem investigação.
No interior do Estado, unidades básicas de saúde promovem atividades durante o Outubro Rosa, com orientações, exames preventivos e encaminhamentos para atendimento especializado.
A ampliação do acesso é especialmente importante para mulheres que enfrentam dificuldades de deslocamento ou aguardam atendimento na rede pública. A articulação entre municípios, unidades de saúde e instituições especializadas pode contribuir para reduzir barreiras e facilitar o diagnóstico.
Conscientização precisa se transformar em cuidado
O câncer de mama permanece entre os principais desafios da saúde pública brasileira. Para o triênio de 2026 a 2028, o Inca estima aproximadamente 78,6 mil novos casos anuais da doença no País.
Diante desse cenário, o Outubro Rosa vai além da iluminação de prédios e do uso da cor símbolo da campanha. A mobilização busca incentivar consultas, ampliar a informação e aproximar a população dos serviços de saúde.
A mensagem central é que o cuidado não deve ficar restrito ao mês de outubro. Manter os exames recomendados em dia, procurar atendimento diante de alterações suspeitas e buscar informações em fontes confiáveis são atitudes importantes ao longo de todo o ano.
A história de Ilma Teodoro mostra que o diagnóstico pode trazer medo e incertezas, mas também reforça o valor do acompanhamento médico e do apoio durante o tratamento. Transformar conscientização em acesso efetivo aos serviços continua sendo um dos principais desafios para a prevenção e o enfrentamento do câncer em Mato Grosso do Sul.

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