Polícia desarticula esquema de rifas que movimentou R$ 100 milhões

Operação prende quatro pessoas e bloqueia cerca de R$ 500 milhões

19 AGO 2026Por Toni Feitosa - DRT 100607h23
Botão de Compartilhar Facebook

Uma engrenagem milionária de sorteios clandestinos na internet, que movimentou mais de R$ 100 milhões em períodos de apenas seis meses, foi desarticulada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul durante a deflagração da Operação Rodas da Sorte.

A ação cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão em Campo Grande, João Pessoa (PB) e na cidade do Rio de Janeiro.

Em Campo Grande, foram presos o influenciador digital Eduardo Rezende da Silva Razuk, de 32 anos, e o irmão dele, Rafael Rezende da Silva Razuk, de 36 anos. Outros dois investigados, responsáveis por empresas apontadas como parceiras do esquema, foram presos na Paraíba e no Rio de Janeiro.

Por determinação judicial, foram bloqueados cerca de R$ 500 milhões em contas bancárias dos investigados e decretada a indisponibilidade de cinco imóveis. As equipes também apreenderam dois relógios de luxo e sequestraram uma frota de 22 veículos de alto padrão, avaliada preliminarmente entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões.

Esquema funcionava desde 2019

As investigações da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) apontaram que o esquema funcionava desde 2019 de forma clandestina nas redes sociais, principalmente no Instagram e no YouTube.

A partir de 2025, segundo a polícia, o grupo passou a buscar alternativas para tentar dar aparência de legalidade às atividades, especialmente após operações policiais contra influenciadores envolvidos com rifas ilegais em diferentes estados.

O delegado titular da DERCC, Pedro Cunha, explicou que o influenciador passou a contar com empresas de outros estados para tentar mascarar a atividade e sofisticar mecanismos de ocultação patrimonial.

“O influenciador passou a se associar com uma empresa no Rio de Janeiro e outra na Paraíba com o intuito de dar uma falsa roupagem lícita às rifas ilegais que praticava e sofisticar a forma de lavagem de dinheiro.”

Segundo as investigações, o influenciador chegava a promover até dois sorteios por semana, com valores expressivos arrecadados em cada campanha.

Ainda de acordo com o delegado, o próprio investigado declarava nas redes sociais faturamentos próximos de R$ 2 milhões por rifa.

“O patrimônio dele foi todo angariado pela contravenção e ele verdadeiramente enriqueceu às custas disso”, afirmou Pedro Cunha.

Polícia explica regras para realização de rifas

Segundo a autoridade policial, a legislação brasileira não permite a realização de rifas com finalidade de lucro privado. As modalidades autorizadas são restritas a situações específicas, especialmente de caráter filantrópico, e dependem de autorização formal.

“Rifas no Brasil não podem ser praticadas com finalidade lucrativa. O que se permite são modalidades muito bem delineadas, com finalidade filantrópica e mediante autorização formal.”

A Polícia Civil também esclareceu que as pessoas que compraram cotas de boa-fé, acreditando na legalidade dos sorteios, não respondem criminalmente.

Investigação continua após prisões

Os investigados são apurados pelos crimes de loteria não autorizada, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

O diretor do Departamento de Polícia Especializada (DPE), Ivan Barreira, afirmou que as investigações tiveram início a partir de uma denúncia anônima e foram aprofundadas com o levantamento de informações junto a diferentes órgãos.

Segundo ele, até o momento, não há indícios de ligação do influenciador sul-mato-grossense com facções criminosas.

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos celulares, computadores e documentos em 13 endereços. O material será analisado pela polícia para identificar a dimensão das movimentações financeiras e verificar a eventual participação de outros envolvidos no esquema.

Deixe seu Comentário

Leia Também