Médicos de plantão não foram localizados em CRS da Capital durante fiscalização do TCE

Auditores verificaram escalas de plantão em cinco unidades de Campo Grande, identificaram profissionais fora dos locais de trabalho e cobraram explicações

10 OUT 2026Por Hyan Martins05h00
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Equipes do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) identificaram médicos ausentes das unidades de saúde durante uma fiscalização voltada à verificação do cumprimento das escalas de plantão em Campo Grande. A inspeção foi realizada por 11 auditores de controle externo, sob coordenação do conselheiro Osmar Jeronymo. O órgão solicitou esclarecimentos à Secretaria Municipal de Saúde (SESAU) sobre a presença dos profissionais e a distribuição das equipes.

A fiscalização passou por três Centros Regionais de Saúde (CRS), nos bairros Nova Bahia, Tiradentes e Coophavila II, além das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) dos bairros Aero Rancho e Santa Mônica. No CRS Tiradentes, onde o conselheiro acompanhou os trabalhos, a equipe constatou a ausência de médicos previstos na escala e a permanência de profissionais fora da unidade durante o expediente. Segundo o TCE-MS, as situações observadas motivaram questionamentos sobre o cumprimento dos plantões.

Durante a inspeção no CRS Tiradentes, a equipe recebeu a informação de que os médicos estariam descansando em seus veículos por causa das condições do alojamento da unidade. O conselheiro afirmou que a justificativa não correspondia ao que os auditores encontraram no local. “Nós constatamos que isso realmente não era verdadeiro e que eles não estavam presentes na unidade”, declarou Jeronymo.

Além da ausência dos profissionais, o Tribunal questionou a quantidade de médicos distribuídos pelos diferentes períodos de atendimento. Conforme o órgão, a escala noturna do CRS Tiradentes relacionava dez médicos, embora a demanda registrada fosse considerada baixa para um dia de semana. O TCE-MS pediu que a SESAU esclareça os critérios utilizados para dimensionar as equipes e informe se há desequilíbrio entre o número de profissionais disponíveis durante a noite e o necessário no período diurno.

Os auditores também analisaram os mecanismos utilizados para registrar a frequência dos trabalhadores. Na unidade fiscalizada, foram identificados tanto um sistema eletrônico de ponto quanto uma folha de frequência preenchida manualmente. O Tribunal quer esclarecimentos sobre os procedimentos de controle adotados pela Secretaria Municipal de Saúde.

Outro pedido envolve a situação funcional dos médicos incluídos nas escalas de plantão. O órgão solicitou informações para distinguir os servidores efetivos daqueles contratados para atuar nos plantões. A análise pretende verificar a correspondência entre os vínculos funcionais, as jornadas cumpridas e os pagamentos efetuados.

A equipe também observou o atendimento na recepção do CRS Tiradentes. Segundo o conselheiro, algumas pessoas aguardavam no local e foram atendidas rapidamente após a chegada dos fiscais. O episódio também será avaliado pelo Tribunal no acompanhamento dos serviços prestados à população.

A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande tem cinco dias úteis para responder ao ofício encaminhado pelo TCE-MS. O Tribunal informou que pretende manter as fiscalizações nas unidades de saúde da Capital, tanto durante o dia quanto à noite. Segundo Jeronymo, as próximas inspeções deverão verificar se os profissionais cumprem efetivamente os horários previstos nas escalas.
 

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