Uma possível fraude em internações de dependentes químicos pode ter causado mais de R$ 1 milhão em prejuízo aos cofres públicos de Mato Grosso do Sul. A investigação aponta que empresas teriam atuado em conjunto para receber por serviços que não cumpriam as condições necessárias para funcionar como clínicas.
A suspeita envolve 13 pessoas e empresas e começou a ser investigada há pouco mais de um ano. Nesta terça-feira (18), a Polícia Civil cumpriu 14 mandados de busca e apreensão em Dourados, Fátima do Sul, Deodápolis, Glória de Dourados e Ponta Porã durante a operação Cura Terapeutica.
Segundo a investigação, os estabelecimentos recebiam pacientes encaminhados pelo Poder Público, inclusive em casos determinados pela Justiça. Porém, fiscalizações encontraram locais sem alvará sanitário, com falta de profissionais e problemas nas condições de atendimento.
Os investigadores também suspeitam que empresas que, oficialmente, não tinham ligação entre si seriam controladas pelas mesmas pessoas. A suspeita é de que elas tenham apresentado propostas e orçamentos diferentes para participar de contratações e processos judiciais.
A Polícia Civil analisou 66 processos judiciais dos anos de 2023 e 2024 nos quais houve repasses de dinheiro público para internações. Nesse grupo de casos, a investigação calcula que a vantagem obtida pelas empresas tenha ultrapassado R$ 1 milhão.
O dinheiro recebido também passou a ser analisado pelos investigadores. Foram encontradas movimentações consideradas suspeitas entre pessoas e empresas investigadas, com valores que teriam sido concentrados e depois distribuídos entre diferentes envolvidos.
A operação recebeu o nome de Cura Terapêutica e teve como objetivo recolher documentos, celulares, registros financeiros e outros materiais. O conteúdo apreendido será analisado para esclarecer como funcionava a possível fraude e identificar outros participantes.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais também encontraram uma pessoa mantida em cárcere privado. A operação resultou ainda na apreensão de três armas, munições, medicamentos de uso controlado em situação irregular e cartões bancários em nome de terceiros.
Três pessoas foram presas em flagrante por crimes encontrados durante a operação. Elas foram autuadas por posse irregular de arma de fogo, tráfico de drogas, sequestro e cárcere privado.
A investigação também apura possíveis crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As autoridades ainda trabalham para identificar a participação de cada investigado e calcular o eventual prejuízo total causado aos cofres públicos.

Investigação aponta empresas sem estrutura adequada para atendimento e possível atuação coordenada na obtenção de recursos públicos por contratos e decisões judiciaisFoto: Divulgação/Polícia Civil
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