Operação Lívia apreende mais 6 adolescentes suspeitos de envolvimento na morte de menina

Investigação aponta que adolescentes exerciam funções de liderança em grupos virtuais usados para coagir vítimas a praticar atos violentos

17 SET 2026Por Redação Jota FM11h05
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A Polícia Civil apreendeu mais seis adolescentes suspeitos de participação na morte de Lívia, de 13 anos, em Naviraí. Os novos alvos foram localizados durante a segunda fase da Operação Lívia, que mobilizou equipes em cinco estados e ampliou para 12 o número de pessoas apreendidas ou presas no caso.

Segundo a investigação, os adolescentes tinham funções de liderança em comunidades virtuais conhecidas como “panelas”, onde vítimas eram submetidas a ameaças, violência psicológica, automutilação e indução ao suicídio. A polícia afirma que duas dessas comunidades se uniram para acompanhar a morte de Lívia, transmitida ao vivo por plataformas digitais.

“Durante as oitivas, o interrogatório dos adolescentes, nós conseguimos verificar realmente a participação deles durante a morte da Lívia, inclusive todos eles sendo chefes, sendo donos dessas comunidades”, afirmou a delegada Anne Karine Trevizan, titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente.

De acordo com a delegada, os grupos funcionavam de maneira organizada e distribuíam diferentes funções entre os integrantes. Ela explicou que os participantes podiam ocupar posições como dono, subdono e responsável pela captação de novas vítimas.

“Quanto mais atos de violência eles praticavam dentro dessa panela, mais eles subiam de cargo”, disse Anne Karine. A delegada afirmou que os grupos tinham como finalidade a prática e a exposição de atos violentos.

A investigação identificou ainda que os adolescentes usavam plataformas como Zang, Telegram, Discord e Instagram. Segundo a polícia, os comandos e ameaças contra Lívia ocorreram no Zang, enquanto a transmissão da morte foi feita pelo Discord e pelo Instagram.

“O Zang, houve todo o comando de como ela deveria se matar, aconteceu dentro do Zang com muita violência, muita ameaça, muita coação contra ela”, declarou a delegada. Segundo ela, integrantes obtiveram informações sobre a família da adolescente e utilizaram esses dados para ameaçá-la.

A polícia também identificou outras vítimas que teriam sido submetidas a automutilação. Algumas delas, segundo a investigação, eram posteriormente envolvidas na captação de novos adolescentes ou submetidas a outras tarefas determinadas pelos grupos.

“Nós temos conhecimento de outros adolescentes, não que veio a se suicidar, mas que foram, se auto-mutilaram”, afirmou Anne Karine. Ela não informou quantas vítimas foram identificadas nem em quais estados elas estão.

Os seis adolescentes apreendidos na segunda fase têm entre 13 e 17 anos e permanecem internados. A delegada explicou que a internação provisória pode durar até 45 dias, enquanto a definição das medidas aplicáveis depende da análise individual da participação de cada adolescente.

“A tipificação vai ser de acordo com o que vai sendo extraído dos aparelhos, dos dados telemáticos, para a gente conseguir ver qual é a participação de cada um naquele crime”, disse. A polícia ainda analisa celulares e outros materiais apreendidos para verificar a existência de novos crimes e participantes.

O diretor do Departamento de Polícia Especializada, Ivan Barreira, afirmou que os seis adolescentes identificados na segunda fase tiveram participação considerada relevante na estrutura investigada. “Eles tinham uma certa liderança sobre os demais, exerciam uma certa liderança nessa organização criminosa”, declarou.

A primeira fase da Operação Lívia havia identificado cinco adolescentes e um adulto. Com os seis novos apreendidos, a investigação chegou a 12 pessoas relacionadas ao caso, sendo 11 adolescentes e um adulto.

A Polícia Civil informou que continuará a extração e análise dos dados dos aparelhos apreendidos. O objetivo é identificar outros possíveis participantes da morte de Lívia e encaminhar às polícias de outros estados informações sobre eventuais vítimas ou crimes praticados fora de Mato Grosso do Sul.

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