Butantan alerta: mitos sobre escorpiões e uso de venenos aumentam risco de picadas

Instituto esclarece que inseticidas, produtos químicos, plantas e práticas caseiras não funcionam e podem espalhar ainda mais o animal

26 JAN 2026 Por Nilda Telles 11h37

Os acidentes com escorpiões no Brasil continuam cercados por desinformação e crenças populares que, além de não resolverem o problema, podem aumentar o risco de picadas. Em 2024, esses aracnídeos foram responsáveis por 198 mil dos 337 mil acidentes com animais peçonhentos registrados no país, segundo dados do Ministério da Saúde. Apenas no estado de São Paulo, foram 42 mil ocorrências no período.

Diante do avanço dos escorpiões em áreas urbanas, o Instituto Butantan chama a atenção para cinco mitos comuns que comprometem o controle do animal e colocam a população em perigo. Entre os principais erros está o uso de venenos, inseticidas, água sanitária, vinagre e pesticidas, práticas que não têm eficácia comprovada e podem forçar o escorpião a sair do esconderijo, espalhando-se para outros ambientes da casa.

De acordo com o aracnólogo Paulo Goldoni, do Instituto Butantan, o uso indiscriminado de produtos químicos provoca estresse no animal e pode até favorecer sua reprodução, acelerando o aumento da população. Além disso, o escorpião consegue sobreviver a muitos pesticidas por fechar seus sistemas respiratórios, o que torna o método ainda mais ineficaz.

Outros mitos desmentidos pelo Butantan incluem o uso de plantas “repelentes”, como arruda, citronela e alecrim, a utilização de caixas de ovos como armadilhas caseiras, a criação de galinhas para controle do animal e práticas perigosas após a picada, como passar substâncias no local, fazer torniquete ou tentar sugar o veneno.

O instituto reforça que a principal forma de prevenção é o controle ambiental, com eliminação de entulho e lixo, combate às baratas, vedação de ralos e frestas e comunicação imediata aos órgãos de saúde ao encontrar um escorpião. Em caso de picada, a orientação é lavar o local com água e sabão e procurar atendimento médico imediatamente, sem automedicação.

Segundo especialistas, informação correta continua sendo a ferramenta mais eficaz para reduzir acidentes e evitar que mitos coloquem vidas em risco.

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