Barracas de Anhanduí podem virar patrimônio cultural

Conforme o texto do projeto, as barracas deverão ser registradas no Livro de Tombo Histórico, Etnográfico e Paisagístico do município. O reconhecimento abrange não apenas as construções, mas também o conjunto cultural e paisagístico

06 FEV 2026 Por Dulce Maria 13h40

O vereador André Salineiro (PL) protocolou na Câmara Municipal de Campo Grande, um projeto de lei que propõe o tombamento das barracas tradicionais instaladas às margens da BR-163, no distrito de Anhanduí, como bem cultural de relevante interesse histórico, social, econômico e cultural de Campo Grande. A justifica do projeto cita a necessidade de reconhecer e preservar um espaço que faz parte da identidade local, mantendo a tradição para as próximas gerações, sem prejuízo à propriedade nem às atividades exercidas pelos comerciantes que atuam no local.

Conforme o texto do projeto, as barracas deverão ser registradas no Livro de Tombo Histórico, Etnográfico e Paisagístico do município. O reconhecimento abrange não apenas as construções, mas também o conjunto cultural e paisagístico associado à ocupação tradicional da área, considerada um marco histórico do distrito.

O tombamento não prevê desapropriação nem transferência de posse, tampouco gera indenização automática. Alterações estruturais, porém, como reformas ou ampliações, deverão passar por autorização prévia do órgão municipal responsável, conforme as normas culturais, urbanísticas e ambientais vigentes.

A história das barracas do distrito de Anhanduí, localizado a cerca de 60 quilômetros de Campo Grande, está diretamente ligada à ocupação da região e à construção da BR-163, a partir da década de 1950. Com o avanço da rodovia, moradores passaram a se estabelecer às margens da estrada e a buscar formas de subsistência ligadas ao fluxo de viajantes e caminhoneiros.

Nesse contexto, surgiram os primeiros pontos de comércio varejista, que, ao longo do tempo, se consolidaram como barracas de beira de estrada. A população local passou a comercializar produtos da agricultura familiar e itens artesanais, como doces caseiros, pimentas, salaminho, peixes e peças feitas à mão, criando uma tradição que atravessou gerações.

Por quase cinco décadas, as barracas se tornaram referência cultural, econômica e afetiva, funcionando como parada quase obrigatória para quem trafegava pela BR-163. Além da geração de renda, os espaços ajudaram a fortalecer a identidade do distrito e a relação entre moradores e visitantes.

Com o passar dos anos, no entanto, o comércio enfrentou desafios, incluindo a redução no movimento e os impactos provocados pela duplicação da rodovia. Diante da relevância histórica, chegaram a ser discutidas propostas de preservação das barracas como patrimônio cultural e paisagístico.

Mais recentemente, os comerciantes buscaram alternativas para manter a atividade, como a organização da Feira Central de Anhanduí, que reúne produtos da agricultura familiar e do artesanato local. A iniciativa marca uma nova fase, mantendo viva uma tradição que nasceu da necessidade e se transformou em símbolo do distrito.

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