O Ministério Público de Mato Grosso do Sul investiga possível preterição de candidatos aprovados em concurso público de Glória de Dourados. A apuração identificou contratações temporárias para cargos previstos no certame enquanto candidatos classificados ainda aguardavam convocação. O concurso segue válido até 5 de outubro de 2026.
A investigação começou pela situação dos aprovados para Professor de Inglês. Dos 29 candidatos classificados, apenas seis foram convocados entre janeiro de 2023 e maio deste ano. Outros 23 continuavam sem nomeação no período analisado.
Nesse intervalo, o município realizou contratações temporárias e Processos Seletivos Simplificados para a mesma função. Documentos analisados pela Promotoria também apontaram a existência de vagas puras para Professor de Inglês. Mesmo assim, houve contratação temporária para o cargo, segundo o procedimento.
O Ministério Público encontrou indícios semelhantes em outras funções previstas no concurso de 2021. Entre os cargos citados estão Fonoaudiólogo e Agente Comunitário de Saúde. Neste último caso, a apuração apontou 14 vínculos temporários para quatro postos previstos em cadastro reserva.
A investigação também questiona possíveis inconsistências nas informações fornecidas pela administração municipal. A Prefeitura terá de apresentar documentos sobre vagas, servidores efetivos e temporários e a situação dos candidatos aprovados. O prazo estabelecido para o envio das informações é de 30 dias.
A Promotoria também solicitou a relação completa dos aprovados e dos atos de convocação realizados. O município deverá informar as justificativas para cada contratação temporária e detalhar a situação individual dos candidatos do concurso. Os dados serão usados para verificar se houve ocupação irregular de vagas.
O Procedimento Preparatório foi instaurado em 19 de agosto e ainda reúne informações sobre o caso. Após a análise dos documentos, o Ministério Público poderá decidir pela abertura de Inquérito Civil ou pela adoção de outras medidas. A investigação busca esclarecer se candidatos aprovados foram deixados de lado durante a vigência do concurso.



Sede do Ministério Público de Mato Grosso do SulFoto: Divulgação