A apuração teve início após a morte da garota de 13 anos, em Naviraí, ocorrida em julho e transmitida no Discord.
A ação de hoje mira seis adolescentes suspeitos de integrar a rede, com medidas de internação e busca e apreensão cumpridas no Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.
A operação é conduzida pela Polícia Civil de MS, com apoio do Ciberlab (Laboratório de Operações Cibernéticas), do Ministério da Justiça.
Segundo o Campo Grande News, a polícia apura como os integrantes abordavam as vítimas, estabeleciam contato e exerciam pressão sobre elas. Na primeira ofensiva, feita em agosto, um adulto foi preso e cinco adolescentes apreendidos.
Entre os adolescentes estava um jovem de 14 anos apontado pelos investigadores como líder do grupo. As apreensões permitiram o avanço da apuração e a identificação de novos elementos sobre a atuação da rede virtual.
A morte da menina de 13 anos foi justamente o episódio que levou a Polícia Civil de MS a aprofundar o monitoramento das atividades do grupo.
O caso também provocou medidas contra a plataforma utilizada nas transmissões. Desde 12 de agosto, as lives do Discord estão suspensas no Brasil por determinação da ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados).
Ainda conforme a Polícia Civil, a adolescente de Naviraí, foi submetida a um processo de controle psicológico e coerção dentro da organização criminosa, sendo tratada pelos integrantes como uma espécie de “escrava virtual”.
Segundo a polícia, os criminosos buscavam informações sobre família, escola e rotina das vítimas para criar vínculos de confiança e, posteriormente, utilizar ameaças para controlar seus comportamentos. Meninas estariam entre os principais alvos.
A abordagem começava em redes sociais abertas, onde integrantes usavam perfis falsos e técnicas de engenharia social para se aproximar de crianças e adolescentes. Depois, as vítimas eram levadas para grupos privados, chamados de “panelas”, ambientes controlados pelos próprios criminosos.
Os administradores das “panelas” assumiam uma posição de autoridade sobre as vítimas, fazendo com que elas acreditassem que poderiam sofrer consequências, assim como seus familiares, caso desobedecessem às ordens.
A Depca passou a investigar o caso após ser acionada pelo Ciberlab, em 22 de julho, diante da repercussão da morte da adolescente nas redes sociais. Para os investigadores, o episódio não deve ser tratado apenas como suicídio: há elementos que apontam para homicídio, diante da indução e do controle exercido sobre a vítima.

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