Dois investigados no esquema de corrupção apurado pela Operação Gutenberg, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), foram denunciados novamente pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), desta vez por obstrução da Justiça.
Francisco Anízio dos Santos, apontado na investigação como proprietário de empresas investigadas no esquema. O outro denunciado é o advogado e lobista Gabriel Taquino de Paula.
Conforme a denúncia, ambos teriam apagado aplicativos de mensagens pouco antes do cumprimento dos mandados de busca e apreensão. Na ocasião, policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) davam apoio às equipes do Gaeco.
Segundo a investigação, Francisco Anízio percebeu a chegada dos policiais por meio das câmeras de segurança de sua residência. Em seguida, apagou os aplicativos WhatsApp e Signal de seu iPhone 17 Pro Max. Já Gabriel Taquino teria removido o WhatsApp de seu aparelho.
Perícia reconstituiu ações nos celulares
A manobra foi identificada pela Câmara Técnica Especializada em Tecnologia e Computação Forense (Cetfor), do Gaeco. Por meio da análise de metadados, registros do sistema operacional e dados de atividade, os peritos conseguiram reconstruir a sequência de ações realizadas nos aparelhos antes da apreensão.
De acordo com os registros periciais, no dia 7 de julho de 2026, às 5h57min8s, Francisco Anízio visualizou imagens de uma viatura do Bope estacionada em frente à residência. Pouco depois, às 5h57min55s, apagou o Signal e, às 5h58min2s, desinstalou o WhatsApp.
No caso de Gabriel Taquino de Paula, os registros indicam que ele desbloqueou o iPhone às 5h56min1s e iniciou a remoção do WhatsApp apenas 14 segundos depois, às 5h56min15s.
Apesar da exclusão dos aplicativos, a perícia conseguiu recuperar mais de 9,3 mil registros de atividade no aparelho de Francisco Anízio e 16,4 mil no dispositivo de Taquino.
O Gaeco também obteve históricos de conversas mantidas pelos investigados com outros integrantes da organização, a partir de celulares apreendidos durante as diligências. Entre os nomes citados estão Ed Carlo Britto Burgatt, Olivia Paroschi Jafar e Eronivaldo Vasconcelos Junior.
MPMS aponta tentativa de dificultar investigação
Para os promotores de Justiça, a proximidade entre a chegada das viaturas policiais e a exclusão dos aplicativos indica uma tentativa deliberada de dificultar a investigação e a obtenção de provas.
Os dois foram denunciados com base na Lei nº 12.850/2013, que trata das organizações criminosas e prevê punição para condutas destinadas a impedir ou embaraçar investigações relacionadas a esse tipo de organização.

NATUREZA Rio transborda e alaga a região da 5ª Linha
INVESTIGAÇÃO MP investiga contratação de empresa para operar aterro sanitário de Ivinhema
ENTREVISTA MS prepara recuperação de 700 km de rodovias no Vale do Ivinhema em 2027
Saque Calamidade Desastres climáticos levam a saques de R$ 22,4 milhões do FGTS em MS