"Achei os valores absurdos": Juliano Ferro atribui falha em licitação ao planejamento

Em vídeo nas redes sociais, prefeito de Ivinhema afirma que processo chega à sua mesa na fase final, aponta falha nas cotações e diz ter acatado determinação do TCE-MS para suspensão e revisão do procedimento

19 SET 2026Por Redação Jota FM11h03
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O prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro, publicou um vídeo nas redes sociais para apresentar sua versão sobre o Pregão Eletrônico nº 031/2026, suspenso cautelarmente pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul.

No vídeo analisado pela Rede Jota FM, Juliano afirma que utiliza as próprias redes sociais para responder às notícias divulgadas sobre sua administração e declara que a falha envolvendo a licitação teria ocorrido no setor de planejamento e na formação das cotações.

Segundo o prefeito, ele não acompanha pessoalmente cada processo desde a fase inicial. Juliano afirma que as licitações passam pelos setores responsáveis e chegam à sua mesa na etapa final, para assinatura e publicação.

Em um dos trechos, ele sustenta que não autorizaria a contratação de uma van por valor que considerasse incompatível com o mercado. Também afirma que a administração acatou a manifestação do Tribunal de Contas e que seriam realizadas novas cotações.

O TCE-MS determinou a suspensão do Pregão Eletrônico nº 031/2026, cujo valor global estimado era de aproximadamente R$ 1 milhão. Entre os pontos analisados está uma cotação de R$ 66,4 mil para duas vans ou micro-ônibus. A fiscalização encontrou referências públicas de trinta e dois mil e quinhentos reais e vinte e oito mil, oitocentos e sessenta e nove reais e noventa e nove centavos.

A fiscalização também apresentou questionamentos sobre a comprovação da Intenção de Registro de Preços, a demonstração econômica da escolha pela locação em vez da compra dos veículos, a justificativa para impedir a participação de empresas em consórcio e os critérios estabelecidos para comprovação de capacidade técnica.

Um ponto importante: a própria análise divulgada ressalta que se trata de avaliação preliminar. Naquele momento, o Tribunal não afirmou que houve sobrepreço ou elevação artificial do orçamento.

A decisão determinou ainda que Juliano Ferro e o secretário municipal de Planejamento, João Paulo dos Santos, comprovassem o cumprimento da suspensão e apresentassem posteriormente justificativas e documentos relacionados aos apontamentos da fiscalização.

O que o vídeo passa a colocar em discussão

A manifestação do prefeito acrescenta uma questão administrativa ao episódio: em qual etapa o chefe do Executivo toma conhecimento dos valores e das condições das contratações que posteriormente assina?

Se, como afirma Juliano, a falha nasceu no planejamento e nas cotações, cabe esclarecer quais servidores ou setores participaram dessas etapas, quais controles internos foram utilizados e quais providências administrativas foram tomadas depois que o problema foi identificado.

Também permanece uma questão objetiva: caso o Tribunal de Contas não tivesse suspendido o procedimento, em que momento a Prefeitura identificaria a inconsistência apontada nas cotações?

São perguntas que não significam antecipar culpa ou irregularidade definitiva. O próprio procedimento no TCE ainda assegura espaço para apresentação de justificativas e documentos pela administração municipal.

OUTRO LADO

A versão de Juliano Ferro está registrada no próprio vídeo: ele afirma que não conhecia previamente aqueles valores, atribui a falha ao planejamento e às cotações, sustenta que não realizaria a contratação pelos valores questionados e informa que acatou a determinação do Tribunal de Contas.

A Rede Jota FM mantém espaço aberto ao prefeito Juliano Ferro, ao secretário municipal de Planejamento e aos servidores responsáveis pelo processo para entrevista, apresentação de documentos e esclarecimento de cada etapa do Pregão Eletrônico nº 031/2026.

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