Violência contra crianças: o silêncio dentro de casa ainda é um desafio no combate ao abuso

Especialistas alertam que denunciar pode salvar vidas; muitos casos acontecem dentro do ambiente familiar e sinais podem aparecer em mudanças de comportamento das crianças.

25 MAI 2026Por Deni Silva08h36
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A campanha Maio Laranja traz um alerta que precisa ir além das redes sociais e das ações realizadas durante o mês de maio: a violência contra crianças e adolescentes continua sendo uma realidade silenciosa dentro de muitos lares.

Durante entrevista realizada pela JOTA FM, a assistente social Marisa, do CREAS, reforçou a importância de quebrar o silêncio e entender que a denúncia é uma ferramenta de proteção.

“Denunciar não significa destruir uma família; muitas vezes significa proteger uma criança”, destacou. Os números mostram a dimensão do problema. Dados recentes divulgados pelo UNICEF apontam que mais de 370 milhões de meninas e mulheres em todo o mundo sofreram violência sexual durante a infância, antes dos 18 anos. Quando são incluídas outras formas de violência, como assédio verbal e violência no ambiente digital, esse número chega a aproximadamente 650 milhões. No Brasil, os registros também preocupam. O Disque 100 vem apresentando números elevados relacionados à violência contra crianças e adolescentes. Apenas nos primeiros meses deste ano foram registradas mais de 32 mil violações sexuais envolvendo crianças e adolescentes.

Outro dado que chama atenção é que grande parte dessas situações ocorre dentro do ambiente doméstico, justamente onde a criança deveria se sentir segura. Casos envolvendo familiares, responsáveis ou pessoas próximas fazem parte de uma realidade difícil de enxergar porque, muitas vezes, a vítima sente medo, culpa ou sequer compreende o que está acontecendo. Por isso, especialistas reforçam que observar comportamentos pode ser essencial. Mudanças bruscas de humor, isolamento, medo excessivo, queda no desempenho escolar, agressividade repentina, tristeza constante, alterações no sono ou resistência em permanecer perto de determinadas pessoas podem servir como sinais de alerta.

Outro ponto importante é criar espaço para a criança falar. Muitas vítimas não conseguem relatar diretamente o que aconteceu. Às vezes, elas demonstram sofrimento por meio de desenhos, brincadeiras, frases aparentemente simples ou mudanças no comportamento. Mais do que perguntar, especialistas orientam que é preciso ouvir sem pressão, sem julgamento e sem desacreditar o relato. O combate à violência infantil não é responsabilidade apenas da escola, do CREAS, do Conselho Tutelar ou das autoridades. É uma responsabilidade coletiva. Uma conversa, uma observação mais cuidadosa ou uma denúncia podem interromper anos de sofrimento. Casos suspeitos podem ser denunciados pelo Disque 100, canal gratuito e sigiloso de proteção aos direitos humanos. Porque proteger uma criança nunca será exagero. O silêncio, muitas vezes, é que custa caro demais.

 

 

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