Restos de vítimas de serial killer permanecem no IMOL

Quase dois anos após descoberta de assassinatos em série, restos mortais esperam por identificação

09 JUL 2018 Por Danielle Valentim/Campo Grande News 19h23

Quase dois anos depois do surgimento de um cemitério clandestino, no Bairro Danúbio Azul, em Campo Grande, onde Luiz Alves Martins Filho, o “Nando”, 49 anos, ocultou os corpos de pelo menos 13 pessoas, ainda há vítimas cujos restos mortais estão parados no IMOL (Instituto de Medicina e Odontologia Legal), sem que as famílias tenham aparecido para uma tentativa de identificação, ao menos.

A situação permanece apesar de já haver condenações acima de 50 anos  para Nando, em processos originados pela descoberta de uma espécie de grupo de extermínio de jovens, boa parte deles dependentes químicos. Um corpo e os restos mortais de duas vítimas ainda não foram identificados.

Nando já foi condenado por tráfico de drogas, favorecimento à prostituição, exploração sexual infantil e pela morte de uma vítima conhecida como “Café”, cuja identificação completa ainda não foi possível. O júri foi no dia 29 de junho deste ano. Ainda restam julgamentos sobre a participação em outros assassinatos.

Conhecido como "dono" do cemitério clandestino, Nando é suspeito de 16 homicídios, mas responde na Justiça por ligação direta com 13.

Ao Campo Grande News, o diretor do Imol, Carlos Idelmar de Campos Barbosa, explicou que quatro vítimas permanecem no Instituto, mas apenas três sem identificação. O impasse acontece devido à trâmite judicial, que prolonga o tempo de liberação.

“Dos quatro que ainda estão aqui, três são ossadas e o último um corpo ignorado, sem identificação. Uma das ossadas já foi identificada, mas permanece no Imol por causa dos trâmites de cartório, porque eles precisam confeccionar a certidão de óbito", explica.

O restante já possui o exame necroscópico finalizado, e dados genéticos armazenados para possíveis exames de identificação no futuro. Outro problema, que impede um sepultamento como indigente, por exemplo, é que após 30 dias, o cartório não emite o atestado de óbito, sem uma liberação judicial e isso também aumenta o tempo de permanência dos restos mortais no local, disse.

De acordo com o diretor do Imol, não há limite de tempo para a permanência de corpos no Instituto, tendo em vista que câmara fria tem capacidade de congelar. O problema seria o espaço, já que o local armazena no máximo 30 corpos.

“Estamos próximos disso (limite). Mas estamos sempre liberando corpos. A questão é se acontece uma tragédia com vários corpos, aí é complicado. O exame dessas vítimas já terminou, já temos dados no banco de DNA, vamos evoluir para inumação (sepultamento) do corpo, assim que o cartório liberar”, finalizou.

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