A PMA e o IBAMA realizaram uma operação contra o tráfico de papagaio com 53 policiais e fiscais, iniciada na quarta-feira (26) até esta segunda feira (dia 1º de outubro) às 8h00, no intuito principal de evitar a retirada dos filhotes dos ninhos.
Mesmo quando são apreendidos novamente, a retirada das aves causam problemas à natureza e custos econômicos - cuidar dos animais até a sua reintrodução envolve muito dinheiro público.
A região principal do problema de tráfico de papagaio é basicamente a que constitui os municípios de Jateí, Batayporã, Bataguassu, Ivinhema, Novo Horizonte do Sul, Anaurilândia, Santa Rita do Pardo, Nova Andradina e Brasilândia, além de Naviraí e Mundo Novo, porém a operação foi realizada em todo o Estado.
Nesta operação, com foco principal a evitar a retirada, ninhos foram monitorados e foram fechadas as saídas do Estado com bloqueios, especialmente nas saídas para o estado de São Paulo, que é o destino principal registrado dos filhotes de papagaios traficados em Mato Grosso do Sul.
APREENSÃO
A operação cumpriu o objetivo principal, pois os traficantes não ousaram retirar os animais dos ninhos. As fiscalizações preventivas rotineiras e trabalhos de inteligência serão mantidos e outras operações acontecerão até o final do período reprodutivo (dezembro), quando a espécie não interessa mais aos traficantes, pois já não haverá mais filhotes.
Durante a operação, uma equipe da PMA e do IBAMA - que realizava trabalhos preventivos nas propriedades rurais de Três Lagoas - abordaram, em uma fazenda a 10 km da cidade, um veículo WV Gol e encontraram um filhote de papagaio em uma caixa. A mulher que adquirira o filhote informou que iria criá-lo, porém recusou-se a informar se havia retirado do ninho ou comprado. O filhote foi apreendido.
A infratora (63), residente em Três Lagoas, foi autuada administrativamente e multada em R$ 5.000,00. Ela também foi conduzida à delegacia de Polícia Civil de Três Lagoas e responderá por crime ambiental, podendo pegar pena de seis meses a um ano de detenção.
Durante os bloqueios, outros crimes ambientais acabaram sendo descobertos, como desmatamentos, exploração ilegal de madeira, incêndio em vegetação e pesca ilegal.
Com relação a crimes de natureza adversa à ambiental, 479 kg de maconha foram apreendidos e uma pessoa denunciada por caça e posse ilegal de arma.
PROBLEMAS DO TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES
O tráfico de animais silvestres é considerada a terceira atividade criminosa mais rentável, perdendo apenas para o tráfico de drogas e o tráfico de armas. Porém, em Mato Grosso do Sul, o problema se resume quase que especificamente ao papagaio.
Como o que interessa ao comprador da espécie é a capacidade que ela tem imitar a voz humana, a retirada só é realizada enquanto filhote. Por esse motivo, o período de agosto a dezembro é preocupante com relação ao tráfico de animais silvestres no Estado de Mato Grosso do Sul, pois é o período reprodutivo dos papagaios - o animal mais traficado no Estado.
Neste período, são fundaentais as operações preventivas nas propriedades rurais para prevenir a retirada dos animais e aliciamentos de funcionários de fazendas e assentados pelos traficantes, assim como a vigilância dos traficantes presos em anos anteriores. Bloqueios são importantes também nas saídas do estado pois evitam que traficantes de fora e locais sintam-se tentados a praticar o crime.
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