As eleições de 2026 deixaram em Ivinhema um resultado que vai além da relação entre candidatos eleitos e derrotados. As urnas mostraram a força de diferentes lideranças e acrescentaram elementos à disputa política que terá a prefeitura como principal horizonte em 2028.
O prefeito Juliano Ferro mantém uma expressiva base municipal. O deputado Renato Câmara demonstrou força eleitoral própria ao liderar a votação para a Assembleia Legislativa. Já o ex-prefeito Tuta permanece no cenário, com experiência administrativa e participação na cúpula da Casa Civil do Governo de Mato Grosso do Sul.
Também ganharam espaço o vereador Zé Wilson, pela votação alcançada na disputa estadual, e a vereadora Lucimar Viana, conhecida como Maria do Bairro, pela atuação no campo de oposição.
O resultado aponta para uma cidade com diferentes centros de influência política. Embora a eleição estadual não antecipe automaticamente o comportamento do eleitor na disputa municipal, oferece sinais sobre a capacidade de mobilização de cada grupo.
Juliano mantém força, mas enfrenta o desafio da sucessão
Reeleito em 2024 com ampla vantagem e com uma base que conquistou 10 das 11 cadeiras da Câmara Municipal, Juliano Ferro chegou às eleições deste ano respaldado por uma estrutura política forte em Ivinhema.
Durante a campanha, declarou apoio a Eduardo Riedel para o Governo do Estado, Reinaldo Azambuja e Vander Loubet para o Senado e Zé Teixeira para deputado estadual, além de participar das articulações em torno de Mara Caseiro para deputada federal.
Em algumas dessas disputas, os candidatos apoiados pelo prefeito tiveram resultados importantes. Eduardo Riedel, por exemplo, recebeu 58,31% dos votos válidos em Ivinhema.
O conjunto da eleição, porém, mostrou que a vantagem conquistada pelo grupo na disputa municipal de 2024 não se reproduziu automaticamente em todas as candidaturas apoiadas neste ano.
Para Juliano, o próximo desafio será transformar sua força política em apoio a um sucessor. No segundo mandato consecutivo, o prefeito chega ao próximo ciclo municipal com a tarefa de construir uma candidatura capaz de reunir seu grupo e conquistar o eleitorado.
Renato Câmara ultrapassa Zé Teixeira e lidera votação para estadual
O exemplo mais evidente dessa reorganização está na disputa para deputado estadual.
Renato Câmara foi o candidato mais votado em Ivinhema, com 2.292 votos, enquanto Zé Teixeira, apoiado pelo grupo do prefeito, terminou em segundo lugar, com 2.120 votos. A diferença foi de 172 votos.
O resultado ganha relevância quando comparado ao de 2022. Naquela eleição, Zé Teixeira havia liderado no município com 3.412 votos, contra 2.405 de Renato Câmara.
Quatro anos depois, as posições se inverteram. Zé Teixeira recebeu 1.292 votos a menos, enquanto Renato teve redução de 113 votos, mas conseguiu assumir a primeira colocação.
A comparação mostra que Renato preservou uma base eleitoral suficiente para superar o candidato apoiado pelo prefeito. Ao mesmo tempo, indica que o apoio da principal estrutura política municipal não garantiu a Zé Teixeira a repetição do desempenho anterior.
A liderança de Renato se refere à votação para deputado estadual. Ainda assim, o resultado amplia seu peso nas articulações locais e fortalece sua participação nas discussões sobre o futuro político de Ivinhema.
Tuta reúne experiência na prefeitura e espaço na cúpula do governo estadual
O ex-prefeito Éder Uilson França Lima, o Tuta, é outro nome que precisa ser considerado nesse cenário.
Graduado em Administração de Empresas e com pós-graduação em Gestão Pública, Tuta governou Ivinhema por 2 mandatos, entre 2013 e 2020. Depois de deixar a prefeitura, passou a atuar no Governo de Mato Grosso do Sul, ocupando funções de articulação política na Casa Civil. Atualmente, o portal oficial da pasta o apresenta como secretário-adjunto da Casa Civil.
Sua trajetória no Executivo estadual começou na gestão de Reinaldo Azambuja, que o nomeou secretário-adjunto em 2021. A passagem pelo governo de Reinaldo e a continuidade na administração de Eduardo Riedel o situam no grupo político que sustenta esse projeto estadual.
Na condição de adjunto, Tuta integra a direção de uma pasta de primeiro escalão, responsável pela interlocução política do governo com os municípios e outros poderes. O cargo lhe proporciona convivência com lideranças estaduais e participação em uma estrutura relevante para as articulações do interior.
Para a política de Ivinhema, essa combinação de experiência como prefeito e presença na administração estadual constitui um recurso político importante. Tuta reúne conhecimento da gestão municipal e relações construídas fora do município, fatores que podem pesar na formação de alianças.
Isso não representa anúncio de candidatura nem permite atribuir a ele os votos de outros candidatos. Sua trajetória, contudo, mantém o ex-prefeito entre as lideranças que podem influenciar a sucessão municipal, seja na construção de um projeto próprio, seja no apoio a outro nome.
Zé Wilson amplia seu espaço político
Outro resultado que chama atenção é o do vereador Zé Wilson.
Candidato a deputado estadual, ele recebeu 1.361 votos e terminou como o terceiro mais votado em Ivinhema, atrás de Renato Câmara e Zé Teixeira.
Embora não tenha conquistado uma cadeira na Assembleia Legislativa, a votação oferece uma referência concreta de sua capacidade de mobilização. Mais de 1,3 mil eleitores do município escolheram seu nome em uma disputa estadual.
Esse desempenho amplia seu espaço nas conversas políticas e o coloca entre as lideranças que podem participar da construção de alianças para os próximos anos.
Assim como ocorre com os demais nomes, uma votação para deputado não se converte automaticamente em apoio numa eleição para prefeito. Ainda assim, o resultado dá a Zé Wilson um argumento relevante para ocupar espaço nas articulações municipais.
Lucimar, a Maria do Bairro, mantém presença no campo de oposição
A vereadora Lucimar Oliveira Viana, conhecida como Lucimar Viana Maria do Bairro, também participa desse novo desenho político.
Eleita pelo MDB em 2024 com 606 votos, Lucimar conquistou uma cadeira pelo campo de oposição em uma eleição na qual o grupo ligado ao prefeito ficou com as outras 10 vagas do Legislativo.
Ao longo do mandato, manteve atuação de fiscalização e protagonizou divergências públicas com o Executivo, ocupando uma posição distinta da maioria dos vereadores.
Nas articulações locais durante a campanha, Lucimar apoiou Renato Câmara para deputado estadual.
A liderança de Renato nas urnas acrescenta peso ao campo político com o qual a vereadora se alinhou. Isso não permite medir isoladamente sua contribuição para o resultado, mas reforça sua presença nas discussões sobre a organização da oposição.
Prefeitura passa ao centro das próximas articulações
O cenário que emerge das urnas reúne forças com características diferentes.
Juliano conta com a prefeitura e uma ampla base na Câmara. Renato demonstrou capacidade de preservar seu eleitorado e liderar a votação municipal para deputado estadual. Tuta reúne experiência no comando do município e relações na cúpula do governo estadual. Zé Wilson e Lucimar também têm espaço para influenciar alianças e projetos.
A eleição de 2026, portanto, oferece novos elementos para a queda de braço pela sucessão de 2028. O desafio dos grupos será transformar votação, presença institucional e relações políticas em um projeto que encontre apoio entre os eleitores.
Até lá, candidaturas e alianças dependerão de decisões que ainda precisam ser construídas. As urnas redesenharam parte do equilíbrio de forças; a disputa pelo próximo comando da prefeitura será definida pela capacidade de cada grupo de dialogar com a cidade.
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Urnas reposicionam Juliano, Renato Câmara e Tuta na queda de braço pela sucessão municipal
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