Frigorífico Balbinos pede à Justiça prioridade de pagamento para pecuaristas

Empresa aposta no fortalecimento da relação com produtores rurais para garantir retomada dos abates e superar crise financeira

16 JAN 2026 Por Redação Sidrolândia 12h15


O Frigorífico Balbinos pretende encaminhar à Justiça um pedido formal para que os pecuaristas passem a ocupar a primeira posição na ordem de recebimento dos valores previstos no processo de recuperação judicial. Segundo a empresa, a medida é considerada estratégica e essencial, uma vez que os produtores rurais são apontados como o principal pilar para a manutenção das atividades e para a consolidação da retomada operacional da unidade.

A iniciativa busca recompor a relação de confiança com os fornecedores de gado, condição indispensável para que a indústria volte a realizar compras a prazo. Atualmente, para alcançar novamente um ritmo diário de abate em torno de 800 animais, o frigorífico estima a necessidade de um capital de giro aproximado de R$ 3 milhões.

Após permanecer com as operações suspensas por mais de três meses, a unidade retomou o funcionamento nesta segunda-feira, com a chegada dos primeiros lotes de gado. Os abates foram efetivamente reiniciados no dia seguinte. Paralelamente, a empresa iniciou um processo seletivo para recompor o quadro de funcionários, reduzido durante o período de paralisação das atividades.

A retomada só foi possível com a entrada de um investidor, responsável pela injeção de recursos que viabilizou a compra dos animais necessários para o reinício dos abates. Neste primeiro momento, todas as negociações com os pecuaristas estão sendo realizadas à vista, com pagamento antecipado antes do carregamento. A quitação é confirmada assim que o caminhão deixa a propriedade, procedimento adotado como forma de reconstruir a credibilidade junto aos fornecedores.

A prioridade comercial do investidor é a comercialização de carne desossada, aproveitando a estrutura implantada no frigorífico há cerca de quatro anos. Apesar do investimento realizado, a unidade não obteve habilitação para exportação em razão da ausência de pavimentação no acesso ao pátio utilizado por carretas e caminhões frigoríficos.

Diante desse cenário, a empresa busca agora um entendimento com o Judiciário para que os pecuaristas sejam reconhecidos como credores prioritários, sob o argumento de que a operação só se mantém viável com o fornecimento contínuo de animais. O frigorífico atravessa um processo de reorganização financeira e planeja retomar as compras em maior escala de forma gradual.

Segundo a empresa, não há pendências trabalhistas, e o foco da recuperação está concentrado no cumprimento das obrigações com os produtores rurais, considerados fundamentais para a sustentabilidade econômica do negócio. Com a eventual aprovação da prioridade aos pecuaristas, a expectativa é fortalecer a retomada das atividades e ampliar progressivamente o volume de abates nas próximas semanas.

De acordo com a equipe jurídica, o pedido de recuperação judicial, protocolado em 31 de outubro do ano passado, tornou-se inevitável diante do agravamento da crise financeira, influenciada por fatores internos e externos. Os advogados destacam o investimento superior a R$ 50 milhões na implantação de uma nova sala de desossa, que permanece inativa devido à falta de pavimentação no acesso para embarque e desembarque de gado — obra prometida por três administrações municipais e apontada como uma das principais causas da imobilização de recursos.

Além disso, o frigorífico foi impactado pelo aumento das taxas de juros, pela instabilidade cambial, pela redução da oferta de gado na região e pelas secas recentes, fatores que elevaram os custos de produção e comprimiram as margens de lucro. Em setembro de 2025, o passivo total da empresa alcançou R$ 185,4 milhões, com prejuízos acumulados de R$ 15,5 milhões registrados ao longo de 2024

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