A Prefeitura de Sidrolândia editou um decreto que estabelece limite de gastos para todas as secretarias municipais e também para a Câmara de Vereadores. A medida foi adotada como forma de reforçar o controle fiscal diante do aumento das despesas registrado ao longo de 2025 e do risco de descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
A Secretaria Municipal de Fazenda e Administração passa a centralizar a supervisão das contas públicas, com autorização para contingenciar despesas, bloquear dotações orçamentárias e suspender contratos sempre que houver ameaça ao equilíbrio financeiro. Novas contratações, compras e liberações de recursos ficam condicionadas à efetiva disponibilidade orçamentária e financeira do município.
O decreto é acompanhado de projeções mensais de receitas e despesas. Em janeiro, a estimativa indicava arrecadação de R$ 41,15 milhões, praticamente equivalente às despesas previstas. Para fevereiro, a projeção aponta leve melhora, com receitas estimadas em R$ 48,05 milhões e gastos de R$ 47,79 milhões, mantendo, ainda assim, margem considerada estreita.
Cada secretaria deverá operar dentro de um teto máximo de gastos, ficando impedida de assumir novos compromissos sem cobertura financeira. A regra também afeta a política salarial, já que reajustes, revisões gerais e concessão de benefícios passam a depender de espaço fiscal e do cumprimento dos limites da LRF.
Os dados de 2025 embasam a decisão. As despesas com pessoal alcançaram R$ 190,7 milhões, o equivalente a 52,41% da receita corrente líquida, percentual classificado como faixa de alerta pela legislação. No mesmo período, as despesas empenhadas somaram R$ 393,4 milhões, com restos a pagar de R$ 17,9 milhões, valor superior ao deixado pela gestão anterior. Com o decreto, a administração busca conter o crescimento das despesas e evitar sanções fiscais que possam comprometer a gestão financeira do município.
Mato Grosso do Sul
O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), publicou o Decreto nº 16.729, que estabelece o cronograma mensal de execução dos gastos do Estado no último ano de mandato. A medida define quanto cada órgão do Executivo poderá empenhar e desembolsar ao longo de 2026, com base na previsão de arrecadação estadual.
A regra vale para secretarias, autarquias, fundações e fundos estaduais, funcionando como instrumento de controle das despesas públicas. O decreto também autoriza o secretário de Estado de Fazenda, Flávio César Mendes de Oliveira, a promover ajustes na programação orçamentária e financeira conforme o comportamento real da receita.
Entre os órgãos, a Ageprev aparece com a maior dotação orçamentária, somando R$ 4,416 bilhões para todo o exercício, com gastos mensais que podem variar entre R$ 310 milhões e R$ 454 milhões. Já o Fundersul terá R$ 1,04 bilhão disponível para investimentos ao longo do ano.
O texto prevê ainda a possibilidade de bloqueio de despesas caso a arrecadação não seja suficiente para cumprir as metas fiscais. Nesses casos, os cortes deverão ser formalizados por ato do Executivo até 30 dias após o bimestre em que for constatada a frustração de receita, seguindo os critérios da Lei de Diretrizes Orçamentárias.
A iniciativa reforça a política de controle de gastos adotada pelo governo estadual desde 2025, após a queda na arrecadação provocada pela redução da importação de gás natural boliviano, que impactou significativamente o ICMS e as finanças do Estado.

POLÍCIA Adolescente de 15 anos é morto a tiros em área de terra em Sidrolândia
Operação Trama Oculta Prefeito de Sidrolândia exonera secretário após operação do Gaeco
FRAUDES Empresários combinavam preços de uniformes para fraudar licitações
Operação policial Gaeco cumpre mandados em Sidrolândia e apreende arma durante nova operação