Às vésperas do início do ano letivo, o secretário municipal de Educação de Sidrolândia, Villi Tognon, em entrevista a Jota FM, confirmou que os alunos da rede municipal não receberão os kits escolares nem os uniformes na primeira semana de aula. O gestor pediu desculpas à população e atribuiu o atraso ao descumprimento de prazos por parte das empresas responsáveis pelo fornecimento. Segundo ele, a licitação dos kits escolares foi realizada no ano passado, dentro do prazo previsto, com seis empresas vencedoras. No entanto, apenas duas entregaram parte dos materiais. Esses itens já estão armazenados no almoxarifado da Secretaria, mas não compõem o kit completo. As demais empresas solicitaram novo prazo e se comprometeram a concluir as entregas até 10 de março. A previsão é que os kits sejam distribuídos com cerca de duas semanas de atraso. Diante disso, a orientação aos pais é que, neste início, adquiram apenas o básico, como caderno, lápis e borracha.
Em relação aos uniformes, a empresa fornecedora, sediada em Blumenau (SC), pediu prorrogação do prazo. O pedido foi feito por e-mail no último dia 16. De acordo com o secretário, os uniformes foram encomendados ainda em dezembro, com prazo inicial de 60 dias para entrega, mas agora a nova previsão é 20 de março. Em relação aos uniformes, segundo Tognon, alguns pais questionam nas redes sociais se é possível comprá-los, e esclareceu que a Prefeitura não faz vendas, e que não há nenhuma empresa credenciada para este fim, ressaltando que, apesar disso, a venda não é ilegal. Para este ano, além dos shorts e camisetas, o uniforme também será composto por um conjunto de inverno, com casaco e calça. Villi também lembrou que as cores dos uniformes de anos anteriores foram mantidas - azul e cinza, pra que seja possível que os pais reaproveitem as peças antigas mesmo após a distribuição das novas, uma vez que mantém o mesmo padrão.
Climatização avança, mas parte elétrica ainda é desafio
A climatização das escolas, promessa de campanha do prefeito Rodrigo Basso, também foi abordada. Atualmente, 11 escolas da rede municipal já estão totalmente climatizadas. Outras 15 unidades ainda aguardam a conclusão da instalação elétrica para que os aparelhos de ar-condicionado possam funcionar.
Os equipamentos já foram distribuídos a parte das escolas da área urbana e uma empresa de Campo Grande está responsável pela instalação física dos aparelhos. No entanto, em algumas unidades, os ar condicionados já estão fixados nas paredes, mas ainda não podem ser ligados por falta de adequações elétricas.
Os projetos elétricos estão sendo elaborados pelo Departamento de Planejamento (Deplan), e os recursos para execução das melhorias serão repassados diretamente às unidades por meio do programa Renova Escola. A meta da Secretaria é que, até o meio do ano, todas as escolas municipais estejam climatizadas.
O secretário explicou que parte das adequações elétricas já havia sido realizada no ano passado, quando oito escolas receberam melhorias com recursos, inclusive, de emendas parlamentares. Neste ano, outras três unidades foram contempladas, totalizando as 11 já climatizadas. Segundo ele, as limitações orçamentárias herdadas da gestão anterior impediram que todas as intervenções fossem concluídas em 2024.
Obras em andamento e organização para o início das aulas
Todas as escolas do campo e da área urbana iniciarão as aulas normalmente no dia 23, com exceção de casos específicos ligados a obras. A Escola Cantinho Feliz passa por reforma no prédio principal. Durante uma semana, o atendimento será concentrado na extensão do bairro Morada da Serra, que possui três salas de aula, enquanto o prédio original conta com seis. A Secretaria pede que, se possível, os pais mantenham as crianças em casa nesse período inicial para evitar superlotação, priorizando o atendimento às famílias que realmente necessitam. A previsão é que a unidade volte a operar com 100% da capacidade a partir de 2 de março.
A escola Doralício, extensão da Darcy Ribeiro, no assentamento Valinhos, será inaugurada em 1º de março, com início das aulas no dia 2. Durante a semana anterior, os alunos receberão atividades pedagógicas para realização em casa. Já a escola Nandi Basílio, localizada na aldeia Nova Tereré, funcionará normalmente a partir do dia 23, com inauguração oficial marcada para as 9h do primeiro dia letivo, após reforma, ampliação e construção.
A escola Benigno Escobar, cuja entrega estava prevista para janeiro, teve o prazo prorrogado por 120 dias devido a problemas com a construtora. A expectativa é que a obra seja concluída em maio, permitindo o funcionamento a partir do segundo semestre. A unidade deve aliviar a demanda na região da Grande São Bento e na escola Porfíria, especialmente na educação infantil. Sobre a Benigno Escobar, o secretário esclareceu que os recursos federais não chegaram a ser devolvidos ao Ministério da Educação (MEC). Segundo ele, os repasses estavam demorando para ser liberados após as medições da obra. Para evitar novos atrasos, a Prefeitura decidiu assumir cerca de R$ 600 mil com recursos próprios, valor necessário para a conclusão da construção. A empresa contratada seguirá responsável pela execução da obra, conforme contrato vigente. De acordo com Tognon, a decisão foi administrativa e teve como objetivo acelerar a entrega da unidade.
Limpeza nas escolas e novo modelo de repasse
Questionado sobre reclamações relacionadas à limpeza e falta de papel higiênico em algumas escolas no ano passado, o secretário reconheceu que houve problemas pontuais. Ele afirmou que não faltaram materiais de limpeza ao longo do ano, exceto por um período inicial de 10 a 15 dias, quando ainda não havia estoque disponível. Atualmente, a rede municipal conta com 101 servidores efetivos na função de serviços gerais, mas apenas 27 estariam atuando diretamente nas escolas. Os demais estão readaptados ou afastados por questões de saúde.
Como medida para agilizar a reposição de materiais e reduzir entraves burocráticos, a Secretaria implementará o programa Renova Escola, que prevê repasses diretos às unidades. A primeira parcela será transferida em março. Segundo o secretário, com recursos próprios em caixa, as escolas poderão adquirir materiais de forma mais rápida, sem depender do tempo de tramitação de processos licitatórios, que podem levar até 100 dias.
Até que os repasses sejam realizados, a Secretaria afirma manter estoque suficiente para atender todas as unidades. Conforme Tognon, os casos registrados no ano passado foram situações isoladas e não decorreram de falta de insumos, mas de organização interna em determinadas escolas.

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