O superintendente do Transporte Escolar de Sidrolândia, Luiz Cezar Assman, o Di Cezar, concedeu entrevista à Rádio Pindorama Jota FM 100.7 nesta quinta-feira (26) para esclarecer dúvidas de pais e responsáveis sobre as mudanças implementadas no sistema de transporte em 2026. Entre os principais pontos abordados estiveram as reclamações registradas nos primeiros dias de aula, a reorganização das linhas na zona rural, a política de monitores nos ônibus, a idade mínima atendida, a redução de contratos terceirizados, a economia gerada com frota própria, o planejamento de investimentos e a implantação de rastreamento veicular.
Reclamações no início do ano letivo e caso do assentamento Eldorado
Uma das situações que gerou repercussão envolveu o assentamento Eldorado, onde pais relataram atraso no retorno dos alunos para casa e a suposta retirada de um ônibus da linha. De acordo com o superintendente, o atraso registrado na semana foi provocado por um fato isolado: um carro particular quebrou e interditou a estrada rural no momento em que o ônibus escolar trafegava pelo trecho. Com a via bloqueada e sob forte chuva, o motorista precisou retornar cerca de mil metros de ré para acessar outro travessão e concluir o trajeto.
Segundo Assman, o episódio não teve relação com mudança de itinerário ou redução de atendimento. “Não teve nenhuma linha que nós mudamos. O que eu tirei foram os excessos”, afirmou. Ele explicou que, anteriormente, dois veículos percorriam o mesmo trajeto, realizando cruzamento em determinados pontos da estrada, o que, além de desnecessário, gerava custo duplicado aos cofres públicos. O gestor argumenta que a reorganização eliminou sobreposições, mas manteve o atendimento integral aos estudantes. Ele reconheceu que ajustes pontuais podem ocorrer no início do ano, mas sustenta que não houve corte de linha.
Reorganização de rotas e eliminação de cruzamentos
A reestruturação promovida pela Superintendência teve como principal objetivo corrigir o que o gestor classificou como “linhas cruzadas”. Em diversas localidades, dois ônibus passavam pelo mesmo ponto em sentidos opostos, executando praticamente o mesmo percurso.
O superintendente citou exemplos nas regiões de Barra Nova, Estrela, Capão Bonito e Flórida. Em determinados trechos, ônibus que vinham de áreas mais distantes cruzavam com outros que partiam de regiões próximas, aumentando a quilometragem rodada e elevando custos operacionais.
“Eu tenho uma lei para cumprir, eu tenho que levar a criança mais perto da escola”, declarou. Segundo ele, a diretriz é encaminhar o aluno à unidade escolar mais próxima da residência, evitando deslocamentos desnecessários de 20 ou 30 quilômetros quando há escola a poucos quilômetros de distância.
Ele também admitiu que houve casos em que informações iniciais estavam incorretas e foram ajustadas posteriormente, como no Capão Bonito. Em situação pontual no Eldorado, a alteração de cerca de 1.200 metros no percurso deixou seis alunos fora do trajeto inicial, mas, conforme relatado, o erro foi corrigido imediatamente após a constatação.
Horários e impactos das condições climáticas
Outro ponto enfatizado durante a entrevista foi a questão dos horários. O superintendente negou qualquer mudança oficial nos horários de embarque e desembarque dos estudantes.
Ele destacou que, na zona rural, fatores como chuvas intensas, atoleiros e bloqueios de estrada podem provocar atrasos eventuais. No momento da entrevista, inclusive, havia um ônibus atolado na região do Nazaré, aguardando trator para remoção.
Assman reforçou que tais situações são circunstanciais e não configuram alteração permanente na grade de horários. Segundo ele, qualquer necessidade comprovada de ajuste será analisada e, se necessário, poderá resultar na inclusão de veículo extra.
Transporte de crianças pequenas e desafios logísticos
O transporte escolar municipal atende alunos a partir de 4 anos de idade, conforme determina a legislação educacional. O superintendente afirmou que, pessoalmente, considera desafiador o deslocamento de crianças tão pequenas em trajetos longos da zona rural.
Há linhas que chegam a 124 quilômetros por trecho, totalizando aproximadamente 250 quilômetros diários entre ida e volta. Nesses casos, o embarque pode ocorrer ainda nas primeiras horas da manhã.
Atualmente, cerca de 3.500 estudantes utilizam o transporte escolar municipal. O sistema percorre aproximadamente 11.508 quilômetros por dia, acumulando cerca de 230 mil quilômetros mensais. “Olha o tamanho da responsabilidade”, declarou o gestor ao dimensionar a complexidade da operação.
Monitores nos ônibus
A presença de monitores nos veículos foi outro tema recorrente entre os questionamentos de pais. Segundo Assman, não há legislação que determine a obrigatoriedade do profissional em todos os ônibus escolares. Ele informou que a adoção do monitor será feita de forma seletiva, priorizando casos específicos, como alunos com deficiência, autismo em grau elevado ou necessidades de locomoção que exijam acompanhamento permanente. “Onde realmente precisa, nós vamos colocar”, afirmou. Ele ponderou que a implantação universal do serviço teria impacto orçamentário significativo e exigiria previsão legal específica.
Redução de terceirizações e ampliação da frota própria
Um dos principais eixos da atual gestão é a substituição gradual de linhas terceirizadas por frota própria. Segundo o superintendente, no início do governo havia 53 ônibus terceirizados em operação. Após reavaliação contratual e nova licitação, esse número foi reduzido para 19 linhas terceirizadas. Em 2025, o município desembolsou cerca de R$ 7 milhões com terceirizações. Para 2026, a estimativa é de R$ 4,5 milhões. Paralelamente, a Prefeitura investiu aproximadamente R$ 16 milhões na aquisição de 28 ônibus novos por meio de atas federais, além de três veículos recebidos do Governo do Estado e um do Governo Federal. Atualmente, 42 ônibus próprios estão em circulação. A meta, segundo o gestor, é encerrar totalmente a terceirização ao término dos contratos vigentes, previsto para o fim do ano letivo, tornando o sistema 100% operado com frota municipal.
Economia projetada e aplicação dos recursos
Com a redução de contratos e ampliação da frota própria, a Superintendência projeta economia anual entre R$ 6 milhões e R$ 7 milhões dentro do orçamento da pasta. De acordo com Assman, parte dos recursos já está sendo direcionada à instalação de ar-condicionado nos ônibus e à manutenção preventiva da frota. A previsão é que todos os veículos estejam equipados até meados do ano. O planejamento também inclui destinar recursos para apoiar reformas estruturais nas escolas da rede municipal. “Essa economia é para transformar as nossas escolas nas reformas”, afirmou. Segundo ele, a médio prazo, os principais custos do transporte escolar serão manutenção, combustível e salários de motoristas, o que tende a ampliar a capacidade de investimento em infraestrutura educacional.
Rastreamento da frota e controle operacional
Outro avanço anunciado é a implantação de sistema de rastreamento em todos os ônibus escolares. Inicialmente orçado em R$ 1,7 milhão, o projeto será executado por meio de parceria com o Governo do Estado, que doou o sistema e os equipamentos. Com o rastreamento, será possível acompanhar em tempo real a localização dos veículos, verificar rotas, identificar frenagens bruscas e eventuais desvios de trajeto. Segundo o superintendente, o sistema está em fase final de implantação e permitirá maior controle operacional, além de ampliar a transparência do serviço prestado.
Garantia de atendimento e convite à fiscalização
Ao longo da entrevista, Assman reiterou que nenhum estudante ficará sem transporte por falta de atendimento. “Se tiver um aluno fora da escola por falta de transporte, pode me denunciar”, declarou. Ele afirmou que a Superintendência está aberta à visitação da população e que toda a documentação referente a manutenção, peças e quilometragem está disponível para consulta. O gestor reconheceu que ajustes são naturais no início do ano letivo, especialmente em uma rede que atende milhares de alunos em extensa área rural. Contudo, sustentou que as mudanças visam racionalizar gastos, melhorar a logística e garantir sustentabilidade financeira ao sistema de transporte escolar de Sidrolândia.

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