Câmara Municipal de Sidrolândia recebeu, na manhã desta segunda-feira (2), o superintendente de Transporte Escolar, César, e representantes do Executivo para discutir reclamações sobre o serviço prestado a alunos da zona rural. Em entrevista à Rádio Pindorama Jota FM 100.7, o presidente da Casa, vereador Otacir Figueiredo, o Gringo, detalhou os principais pontos debatidos, os encaminhamentos definidos e o clima tenso registrado durante a reunião.
Segundo o presidente, a reunião foi motivada por queixas de pais de alunos que vivem em assentamentos do município. De acordo com os relatos apresentados à Comissão de Educação, as crianças estariam saindo muito cedo de casa e retornando no fim do dia, passando mais tempo dentro dos ônibus do que nas salas de aula. Outra reclamação recorrente diz respeito à ausência de monitores para auxiliar os motoristas, especialmente no acompanhamento de crianças pequenas e estudantes com necessidades específicas. Vereadores defenderam a necessidade de reforçar o atendimento e garantir mais segurança durante o trajeto.
Em relação às denúncias de redução de ônibus em linhas como Eldorado, o superintendente argumentou que atrasos registrados nos primeiros dias de aula foram provocados por situações pontuais, como um caminhão atolado que teria obstruído a estrada e prejudicado o trajeto. Apesar da explicação, vereadores defenderam a necessidade de averiguar se os problemas são ocasionais ou permanentes. A Comissão de Educação deve ouvir também o prefeito para aprofundar a apuração e cobrar providências, caso sejam constatadas falhas estruturais, como número insuficiente de veículos ou condições inadequadas das estradas, mas ainda não há data pra isso ocorrer.
O clima da reunião se intensificou após relato de que o superintendente teria utilizado o termo “criatura” ao se referir a um aluno com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Embora Gringo tenha afirmado não ter ouvido diretamente a fala, disse que a informação foi confirmada por vereadores presentes. Para o presidente da Câmara, a expressão foi desrespeitosa e incompatível com a necessidade de uma educação inclusiva. A situação gerou indignação entre parlamentares e familiares presentes, contribuindo para o ambiente de tensão no encontro.
Questionado sobre a ausência de previsão legal para contratação de monitores, apontada pela Superintendência, Gringo informou que irá protocolar projeto de lei de sua autoria para tornar obrigatória a presença de monitor em todos os ônibus escolares do município. Ele destacou que, no ano passado, havia o cargo de monitor escolar e que a função é essencial para garantir segurança, já que o motorista não pode acumular a responsabilidade de conduzir o veículo e cuidar das crianças ao mesmo tempo.
Durante a sessão ordinária desta segunda-feira, os vereadores decidiram não votar projetos previstos na pauta, em respeito às famílias presentes e como forma de chamar a atenção do Executivo para a gravidade das denúncias. Segundo o presidente, não houve obstrução formal por falta de quórum, mas uma decisão política da maioria dos parlamentares. Uma sessão extraordinária deve ser convocada ainda nesta semana para deliberar sobre matérias de interesse da população que ficaram pendentes, incluindo projetos nas áreas de esporte e habitação.
Como encaminhamento, foi sugerido que vereadores acompanhem as rotas do transporte escolar, entrando nos ônibus e percorrendo trajetos em localidades como Barra Nova, Valinhos e Eldorado, para verificar de perto as condições enfrentadas por alunos e motoristas.

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