O prefeito de Sidrolândia, Rodrigo Basso, concedeu entrevista na manhã desta quarta-feira (04) à Rádio Pindorama Jota FM 100.7, onde abordou de forma as mudanças no transporte escolar da zona rural, a polêmica envolvendo o superintendente do setor, a contratação de monitores, críticas da população, além de projetos do Executivo que aguardam votação na Câmara Municipal. Logo no início, o prefeito afirmou que o transporte escolar passa por uma “remodelação total”. Segundo ele, trata-se de um setor que ficou “muito tempo esquecido” e que agora está sendo reorganizado, o que naturalmente gera desconfortos iniciais. “Toda mudança gera polêmica. Estamos mexendo em logística, em linhas, em rotas. Isso leva um tempo para ser compreendido”, declarou.
Basso reconheceu que houve problemas na primeira semana de aula. Ele citou três fatores principais: atraso na entrega de 20 ônibus novos adquiridos pelo município, falhas mecânicas em alguns veículos antigos que estavam parados há muito tempo e as fortes chuvas de fevereiro, que deixaram trechos de estradas rurais intransitáveis. Segundo o prefeito, a empresa fornecedora dos ônibus informou, de última hora, que a entrega prevista para fevereiro só ocorrerá a partir de abril, o que comprometeu o planejamento inicial da gestão.
Ele explicou que o projeto da administração prevê que os ônibus novos assumam as linhas regulares, enquanto os veículos mais antigos fiquem como reserva técnica para atender situações emergenciais, como atolamentos, pneus furados ou problemas mecânicos. Com o atraso na entrega, o município ficou sem frota reserva, o que teria causado os transtornos relatados por pais, especialmente em linhas mais longas, como a do Cantagalo.
Sobre mudanças nos horários, o prefeito diferenciou situações temporárias e permanentes. Parte das alterações, segundo ele, decorre exclusivamente da falta de veículos e deve ser resolvida com a chegada dos novos ônibus e com a locação emergencial já em andamento. No entanto, outras mudanças são definitivas e fazem parte da reorganização logística anunciada ainda em 2024. Basso afirmou que a prefeitura passou a priorizar que alunos estudem em escolas mais próximas de suas residências, reduzindo deslocamentos considerados excessivos. “Não faz sentido o aluno rodar uma hora se pode rodar 15 minutos até uma escola mais perto”, pontuou.
Questionado sobre a presença de monitores nos ônibus, Basso afirmou que eles atuarão apenas nos casos que envolvem alunos com deficiência, conforme exigência legal. Ele disse que os contratos para monitores nas linhas com crianças pequenas e alunos especiais estão sendo formalizados e que, a partir da próxima semana, esses profissionais já devem estar atuando. Destacou ainda que a contratação exige critérios específicos, principalmente porque os ônibus permanecem nas regiões mais distantes, exigindo que o monitor resida próximo à linha.
Sobre a possibilidade de um projeto da Câmara tornar obrigatória a presença de monitores em todos os ônibus, o prefeito declarou que o Executivo cumprirá qualquer lei aprovada, desde que haja indicação da fonte de custeio. “É só indicar a dotação orçamentária e de onde vai sair o recurso que a gente executa”, afirmou.
A entrevista também abordou a polêmica envolvendo o superintendente de transporte, Di Cezar, que utilizou o termo “criatura” ao se referir a uma criança autista durante reunião na Câmara. Basso classificou a fala como infeliz, mas disse não acreditar que houve intenção pejorativa. “Se foi no tom pejorativo, está errado. Mas conhecendo ele, não vejo maldade”, declarou. O prefeito afirmou que o servidor já pediu desculpas e reforçou que a gestão mantém compromisso com as mães de crianças atípicas, citando investimentos no atendimento especializado e a elaboração de um Plano Municipal de Educação Especial.
Sobre críticas relacionadas ao tratamento considerado ríspido do superintendente de transporte com pais de alunos, Basso afirmou que o atendimento direto à população não é função do cargo, que deve focar na organização logística do transporte. Segundo ele, o contato com os pais é feito pelas secretarias competentes, embora o servidor acabe sendo procurado diretamente por parte da comunidade.
No campo político, o prefeito demonstrou preocupação com a possibilidade de paralisação da pauta na Câmara Municipal. Ele citou pelo menos 15 projetos protocolados desde janeiro que aguardam votação. Entre eles, destacou o financiamento junto à Caixa Econômica Federal para viabilizar a construção de uma UBS, uma creche, um CAPS e uma unidade odontológica móvel, investimentos que somariam cerca de R$ 9 milhões. Segundo Basso, há risco de perda de prazo no caso específico do financeiamento via Caixa.
Também mencionou a permuta de terrenos para implantação de 220 casas populares em parceria com a Agehab, desapropriação de área para regularização da Aldeia Nova Tereré e implantação de estação de bombeamento de esgoto, além de projeto de incentivo a atletas e proposta de reativação do antigo laticínio municipal por meio de cooperativa para fortalecer a cadeia leiteira local. “Se perder o prazo, quem perde é a população”, afirmou, acrescentando que assistirá presencialmente a sessão extraordinária desta quarta-feira na Câmara.
Ao final, o prefeito falou sobre kits e uniformes escolares. Informou que os kits começam a ser entregues na próxima semana e que as camisetas do uniforme chegam ainda em março, enquanto jaquetas e calças devem ser entregues até abril e maio. Ele reconheceu atrasos na confecção, mas garantiu que a situação será normalizada e que, nos próximos anos, a entrega ocorrerá com maior antecedência.
Confira a Entrevista completa com o prefeito Rodrigo Basso

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