Familiares e amigos se despedem, nesta terça-feira (28), de Therezinha Nantes de Arruda, de 54 anos, vítima de feminicídio. A cerimônia reuniu pessoas próximas no Cemitério Parque das Primaveras, em Campo Grande. A vítima, integrante de uma família tradicional de Sidrolândia, deixou dois filhos e netos. Familiares preferiram não conceder entrevistas devido ao momento de luto e abalo emocional.
O filho de Therezinha foi quem encontrou a mãe e o pai mortos dentro da residência da família, localizada na Vila Bandeirantes, em Campo Grande, na tarde desta segunda-feira (27). O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e confirmou os óbitos no local. De acordo com a investigação, Joel Escocio Carvalho, de 59 anos, matou a esposa com golpes de faca e, em seguida, cometeu suicídio, com a mesma arma branca. O velório da mulher ocorreu separadamente do sepultamento do autor do crime.
Segundo a Polícia Civil, não havia registros anteriores de violência doméstica envolvendo o casal e também não existiam medidas protetivas de urgência em favor da vítima. Os corpos foram encontrados próximos um do outro e a perícia identificou indícios de que Therezinha tentou se defender durante a agressão.
Familiares informaram aos investigadores que a vítima pretendia encerrar o relacionamento, que já durava mais de três décadas. A separação teria gerado resistência por parte do marido, conforme apurado durante as diligências. Antes do crime, Joel enviou mensagens de áudio a um dos filhos fazendo referência a uma possível tragédia, mas sem declarar diretamente a intenção de matar a esposa.
Vizinhos relataram que o casal convivia há décadas e que, aparentemente, mantinha uma relação tranquila. Segundo uma moradora da região, não eram comuns discussões ou conflitos presenciados na rotina do casal, que costumava conversar e compartilhar momentos com os vizinhos. A testemunha afirmou que ficou surpresa ao saber do crime, pois não tinha conhecimento de que os dois estavam em processo de separação. Ela descreveu a vítima como uma pessoa carinhosa e prestativa, além de relatar que mantinha uma relação de amizade com ambos.
O caso segue sob investigação da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). Com o registro, Mato Grosso do Sul chega a 16 feminicídios em 2026.
Sidrolandense - Terezinha Arruda era natural de Sidrolândia e integrava uma das famílias tradicionais do município. Era irmã de Mário Arruda e de Noel Arruda (falecido recentemente), e filha de Generoso Arruda, pioneiro nos setores de táxi e da construção civil na cidade. Ela cursou o ensino primário na Escola Sidrônio Antunes de Andrade e era conhecida pelo amplo círculo de amizades construído ao longo da vida.
A notícia provocou comoção entre familiares, amigos e moradores de Sidrolândia, onde a família Arruda possui forte ligação com a história do município. O momento é ainda mais delicado porque, há poucos dias, a família havia enfrentado a perda de Noel Arruda, que morreu após complicações decorrentes de um procedimento odontológico.
PROCURE AJUDA - Em casos de violência contra a mulher, denúncias podem ser feitas pelo Disque 180, serviço gratuito e disponível 24 horas, com possibilidade de anonimato. Em situações de emergência, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190.
Em Sidrolândia, a UPA 24h também oferece atendimento especializado em situações de violência, na Sala Lilás.
Pessoas em sofrimento emocional ou em risco de suicídio podem buscar apoio pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), no telefone 188, disponível 24 horas. Também é possível procurar atendimento nos serviços de saúde mental, como os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), ou acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193 em situações de urgência.



Therezinha Arruda é velada sob forte comoção da família e amigos nesta terça-feira, 28Foto: Redes Sociais
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