A cidade que ficou conhecida como a terra dos "60 dias apaixonado", imortalizada na música de Chitãozinho e Xororó, parece estar vivendo um paradoxo amoroso. Apesar da canção celebrar a paixão arrebatadora, dados do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE) de 2020 revelam que a cidade está registrando mais divórcios do que casamentos.
No país, a estatística revela um cenário similar: a taxa de divórcios vem crescendo nos últimos anos, enquanto a de casamentos cai. Em 2020, foram registrados 3,4 divórcios para cada 1000 habitantes no país, um aumento de 73% em relação a 2010.
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Aparecida do Taboado não foge à regra. Foram 56 casais que disseram "sim" ao matrimônio contra 78 que optaram pelo "não" definitivo. Um contraste que desafia a canção que embalou corações apaixonados e levanta questionamentos sobre a dinâmica das relações na era moderna. Será que a vida real não acompanha a melodia romântica?
Os desafios enfrentados pelos casais hoje são diversos, conforme aponta a psicóloga e advogada especialista em direito familiar Elenise Roldan: "Dificuldade de comunicação, individualismo falando mais alto que o desejo de parceria e troca, a busca pelo crescimento individual e sensação de liberdade e fazer com que suas ideias prevaleçam acima do parceiro (a) ou do casal".
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"Os sinais de alerta são o desinteresse pelo parceiro (a), o afastamento sexual, dificuldade de manterem uma conversa amigável, menos planos e objetivos em comum, brigas e discussões por qualquer motivo e distanciamento físico e emocional", destaca a especialista.
Sobre a idealização do amor, a especialista acrescenta: "O amor romântico, como conhecemos hoje, teve seu início por volta do século XII e com isso, surgiram os "contos de fadas". O romantismo, em dose pequena pode trazer mais carinho e paixão ao relacionamento, porém se a dose for muito grande, certamente trará descontentamento e frustração, já que ninguém consegue atingir o alto grau de exigência que um amor idealizado apresenta, portanto para que não tenha grande prejuízo, é necessário que amor seja mais realista do que idealizado".
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Mas será que a paixão que dura mais de "60 dias" ainda é possível? Segundo a especialista, “todo amor, até os mais sólidos e duradouros, inicia com um sentimento de paixão, pois esta sensação quase febril, que invade o corpo e a mente dos apaixonados, desencadeada pela produção dos hormônios oxitocina e dopamina, faz com que o apaixonado sinta uma sensação de felicidade e uma descarga de adrenalina a cada pensamento, a cada encontro, a cada mensagem."
"Já se sabe, através de estudos sobre o comportamento humano, que a paixão pode durar algumas semanas ou 1 ou 2 anos, em média. Depois deste período, pode acontecer uma destas situações: o relacionamento chega ao fim ou é início de uma história de amor. A paixão sempre chega primeiro, podendo se transformar em um relacionamento mais maduro e mais real, também chamado de amor", finaliza a especialista.

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