Uma ação de despejo realizada pela GCM (Guarda Civil Metropolitana) da Prefeitura de Campo Grande deixou cerca de 55 pessoas desabrigadas em uma área invadida no bairro Lagoa Park. Sem moradias improvisadas, os moradores passaram a noite ao relento, improvisando abrigos com cadeiras, redes e colchões ao ar livre.
Segunda desocupação em menos de uma semana
Essa foi a segunda desocupação em menos de uma semana na área invadida, que pertence à Prefeitura de Campo Grande. Na quarta-feira (2), a primeira ação para desocupação foi realizada, gerando indignação entre os moradores. Na ocasião, os moradores alegaram que não receberam um mandado judicial prévio e que a ação foi conduzida de forma truculenta, resultando na derrubada de barracos de madeira que serviam como moradias improvisadas.
Condições precárias de abrigo
Após a derrubada das moradias improvisadas, os moradores se viram sem abrigo adequado. Cerca de 55 pessoas, incluindo crianças e mulheres grávidas, passaram a noite em condições precárias, montando estruturas improvisadas com lonas para tentar proteger-se do relento. Alguns moradores dormiram em redes e colchões ao ar livre, enquanto outros buscaram abrigo embaixo de árvores.
Reivindicações e busca por direitos
Os moradores desabrigados expressaram sua intenção de lutar por seus direitos. Leila Pantaleão Silva, uma das moradoras, declarou que planeja procurar a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul para solicitar o direito de permanecer no local. Ela destacou que as famílias precisam de moradias adequadas e reforçou que muitos dos moradores estão cadastrados na Emha (Empresa Municipal de Habitação) e Agehab (Agência Estadual de Habitação).
Eliane Lima de Oliveira, outra liderança entre os moradores, enfatizou que a comunidade não está buscando moradias gratuitas, mas sim a oportunidade de dividir o terreno e assumir a responsabilidade pelo pagamento de impostos, incluindo o IPTU. A reivindicação central é por um teto para abrigar suas famílias.
Abordagem polêmica e ausência de assistência
Durante a ação de despejo, relatos de abordagens policiais ameaçadoras surgiram. Elisangela Magalhães Silva, uma das moradoras, afirmou que um policial ameaçou soltar uma bomba com seu filho dentro do barraco. Nayara Santos, uma auxiliar de produção grávida de cinco meses, relatou que os policiais a ameaçaram prender e levar seus filhos para o Conselho Tutelar, causando grande angústia durante a abordagem.
Apesar da presença da SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) no local, alguns moradores afirmaram que a assistência prometida não chegou efetivamente. Algumas famílias se recusaram a aceitar acolhimento na Uaifa 1 (Unidade de Acolhimento Institucional para Adultos e Famílias I), alegando a falta de condições adequadas.
Posicionamento oficial e próximos passos
A Prefeitura de Campo Grande foi questionada sobre a operação de desocupação e a situação dos moradores. Até o momento, não houve resposta oficial por parte da administração municipal. A Sesdes (Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social) afirmou em nota que a operação foi realizada em cumprimento de sentença de desocupação e que não houve uso de força por parte da GCM.
Enquanto isso, os moradores desabrigados buscam amparo legal para garantir seu direito a um teto e buscam soluções para sua situação, destacando a importância de compartilhar o terreno e cumprir com obrigações tributárias. A comunidade espera por respostas concretas das autoridades municipais para resolver essa situação complexa e desafiadora.
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