A retirada de ligações clandestinas de energia deixou cerca de 200 famílias sem eletricidade na manhã desta quinta-feira (23), na comunidade Agrovila Campão, às margens da BR-262, na saída para Sidrolândia, em Campo Grande. Durante a operação, equipes da Energisa desmontaram a estrutura utilizada para abastecer a ocupação irregular. Ao todo, foram recolhidos aproximadamente 450 metros de cabos, avaliados em R$ 10 mil.
A ação contou com apoio da Polícia Militar e teve como alvo a rede improvisada que abastecia as moradias da comunidade. Além da fiação, as equipes também retiraram equipamentos utilizados nas ligações clandestinas. O caso foi registrado na Polícia Civil como furto de energia.
Segundo a concessionária, as ligações eram feitas diretamente na rede de distribuição, sem critérios técnicos e sem autorização. A empresa afirma que esse tipo de instalação aumenta o risco de choques elétricos, incêndios e outros acidentes, além de comprometer a qualidade do fornecimento para consumidores atendidos regularmente.
A Agrovila Campão existe há cerca de quatro anos e, segundo os moradores, abriga mais de 200 famílias. Como o abastecimento de água depende de bombas elétricas instaladas em poços, o desligamento da energia também interrompeu o fornecimento de água para toda a comunidade. Moradores relataram preocupação com a conservação de alimentos e medicamentos que precisam de refrigeração.
Lideranças da ocupação afirmam que os próprios moradores arrecadaram recursos para comprar a fiação utilizada nas ligações improvisadas. Eles reconhecem que o fornecimento era irregular, mas defendem a criação de uma alternativa que permita a regularização do serviço. Segundo a comunidade, a exigência de endereço formal e da regularização da área impede a instalação de ligações individuais.
A Energisa informou que a retirada das ligações clandestinas segue as normas do setor elétrico e que permanece à disposição do poder público para discutir soluções que possibilitem o fornecimento regular de energia, desde que atendidos os requisitos legais e de segurança. Apesar da tensão durante a operação, não houve confronto entre moradores e equipes que participaram da ação.
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