O número de consumidores inadimplentes em Mato Grosso do Sul cresceu 10,07% em abril de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. O índice ficou acima da média nacional, que registrou alta de 9,25%, e também superou o percentual do Centro-Oeste, de 6,66%. Os dados são do SPC Brasil.
O avanço da inadimplência também apareceu na comparação mensal. Entre março e abril deste ano, o Estado teve crescimento de 1,47% no total de negativados. O percentual é quase três vezes superior à média regional registrada no mesmo período.
O aumento não atingiu apenas o número de consumidores com restrições no crédito. O volume de dívidas em atraso avançou 20,84% em um ano. Cada inadimplente acumula, em média, 2,4 dívidas em aberto.
O valor médio devido pelos consumidores sul-mato-grossenses chegou a R$ 5.994,67. O tempo médio de atraso também chama atenção. Segundo o levantamento, os débitos permanecem abertos por cerca de 28,4 meses.
Mais de um terço dos consumidores inadimplentes permanece com restrições entre um e três anos. O sistema financeiro concentra a maior parte das pendências. Bancos respondem por 64,69% das dívidas registradas no Estado.
A faixa etária entre 30 e 39 anos concentra a maior parcela dos inadimplentes. O levantamento aponta ainda distribuição equilibrada entre homens e mulheres. A reincidência também cresceu no período analisado.
Em abril, 87,62% das negativações foram de consumidores que já haviam enfrentado restrições nos últimos 12 meses. O número de reincidentes aumentou 11,85% no acumulado de um ano. Os dados indicam dificuldade crescente para regularização financeira das famílias.
Ao mesmo tempo, caiu o número de pessoas que conseguiram quitar dívidas. A recuperação de crédito teve retração de 7,84% nos últimos 12 meses. O desempenho ficou abaixo da média nacional registrada pelo indicador.
A presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul, Inês Santiago, afirmou que os dados refletem o agravamento da situação financeira da população. “Cada consumidor tem, em média, 2,4 dívidas e cada uma delas gira em torno de R$ 5,9 mil, valor muito acima da média salarial do trabalhador em Mato Grosso do Sul”, declarou.
Segundo a dirigente, o alto índice de reincidência mostra que renegociações não têm resolvido o problema de forma definitiva. “O consumidor até sai da inadimplência, mas volta rapidamente porque o ambiente econômico continua difícil”, afirmou. A entidade defende ações voltadas à educação financeira e ampliação das condições de renegociação.

MS registrou aumento de 10% no número de devedores em um anoFoto: Divulgação/FCDL
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