A próxima safra de Mato Grosso do Sul deve enfrentar condições climáticas bastante diferentes entre as regiões do Estado durante a primavera. Um boletim técnico elaborado por órgãos federais aponta previsão de chuva acima da média no Sul, enquanto Norte, Noroeste e Pantanal devem continuar com pouca chuva e temperaturas elevadas. O cenário pode afetar principalmente o calendário da soja, a umidade do solo e as atividades da pecuária.
No Sul, o excesso de chuva pode dificultar o trabalho das máquinas e atrasar a retirada de grãos que ainda estiverem no campo. A situação também exige atenção durante o início do plantio da soja, já que períodos prolongados sem chuva entre as precipitações podem prejudicar o desenvolvimento das plantas. O relatório indica que esses períodos secos, conhecidos como veranicos, podem ocorrer mesmo em uma estação com chuva acima da média.
Nas regiões Norte e Noroeste, o problema é oposto e envolve a falta de água. A previsão mantém um quadro de estiagem severa, acompanhado por temperaturas mais altas e perda de umidade do solo. Para os produtores, a condição pode aumentar a pressão sobre as pastagens e dificultar a manutenção da atividade pecuária.
O Pantanal também aparece entre as áreas que exigem maior atenção durante o período. A Bacia do Rio Paraguai atravessa uma situação de seca hidrológica extrema, considerada a mais crítica entre as bacias monitoradas no país pelo levantamento. A baixa disponibilidade de água preocupa tanto as atividades econômicas quanto as comunidades que dependem dos recursos hídricos da região.
O tempo seco ainda mantém elevado o risco de queimadas em áreas do Estado. A combinação entre pouca chuva, vegetação ressecada e temperaturas altas pode favorecer a propagação do fogo durante a primavera. O cenário exige atenção principalmente nas áreas rurais próximas a regiões com maior déficit de umidade.
Outro fator que pode aumentar o estresse sobre as lavouras e criações é a quantidade de ondas de calor previstas para a estação. Em um ano considerado dentro da normalidade, Mato Grosso do Sul costuma registrar entre dois e três episódios desse tipo durante o trimestre. Com a influência de um El Niño forte, a estimativa passa para três a cinco ondas de calor entre setembro e novembro.
A previsão considera que o El Niño deve continuar atuando até pelo menos o início de 2027. Os modelos analisados pelos órgãos federais apontam ainda uma alta possibilidade de o fenômeno atingir intensidade forte. A permanência desse padrão climático mantém a necessidade de acompanhamento das condições de chuva, temperatura e disponibilidade de água ao longo da safra.
As diferenças entre as regiões do Estado também devem exigir cuidados distintos dos produtores. Enquanto áreas do Sul podem enfrentar problemas provocados pelo excesso de água, propriedades do Norte e do Pantanal terão de lidar com a escassez hídrica. Para a agricultura, o desafio será ajustar o manejo às mudanças no volume e na distribuição das chuvas.
A situação dos recursos hídricos será acompanhada em uma reunião marcada para 22 de setembro. A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico realizará a 12ª Reunião de Avaliação das Condições Hidrometeorológicas da Bacia do Alto Paraguai. O encontro deve discutir a evolução dos níveis dos rios e das condições de disponibilidade de água na região.
O cenário de Mato Grosso do Sul faz parte de uma mudança climática mais ampla prevista para diferentes regiões brasileiras. No Sul do país, a tendência é de chuvas acima da média e maior risco de cheias, enquanto Norte e parte do Nordeste devem continuar com tempo mais seco e temperaturas elevadas. As condições previstas mostram que os efeitos do fenômeno serão diferentes de acordo com a região e a atividade agrícola.

As regiões Norte, Noroeste e o bioma pantaneiro atravessam um quadro crítico de estiagem e temperaturas elevadasFoto: Álvaro Rezende/Secom/Arquivo
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