Na manhã do dia 11 de janeiro de 2025, às 9 horas, em uma sala modesta localizada na Rua da Lira, nº 19, Vila Carlota, em Campo Grande-MS, um grupo de cidadãos com objetivos comuns se reunirá para definir o futuro de uma organização que, até então, existia apenas como uma ideia: a Associação Cannabis Livre de Mato Grosso do Sul (ACALMS – Flor do Cerrado).
A pauta é simples, mas essencial: aprovar o estatuto social da entidade e eleger a diretoria e os conselhos Deliberativo e Fiscal. No papel, são apenas formalidades burocráticas, mas, na prática, é o momento em que o coletivo deixa de ser uma iniciativa informal e passa a existir oficialmente.
A convocação foi feita pela Comissão Provisória, um grupo de pessoas que assumiu a responsabilidade de guiar os primeiros passos da associação, com o objetivo de transformá-la em uma ferramenta legítima para dialogar com a sociedade, o poder público e a comunidade científica sobre os benefícios e possibilidades da cannabis, especialmente para uso medicinal.
Estatutos, votos e a democracia direta - Como toda organização que se preza, a ACALMS precisará de regras claras. O estatuto social — que será apresentado, discutido e votado na assembleia — funcionará como a espinha dorsal da entidade. Ele definirá desde os objetivos da associação até os deveres e direitos de seus membros.
Para ser aprovado, o estatuto precisará do apoio de dois terços dos presentes na assembleia.
Além disso, haverá a eleição da diretoria e dos conselhos Deliberativo e Fiscal. Caso apenas uma chapa se inscreva, ela será eleita por aclamação. Se mais de uma chapa disputar, a votação ocorrerá, e será considerada vencedora aquela que obtiver a maioria simples dos votos, desde que haja 50% mais um dos membros presentes.
O ritual democrático pode parecer árido, mas é uma peça fundamental para garantir que a associação tenha legitimidade e voz ativa nos debates futuros.
Um símbolo de transformação social - A criação de uma associação formal voltada para o uso responsável da cannabis não é apenas uma iniciativa local. É parte de um movimento nacional e global que busca tirar a planta do submundo, do estigma e do preconceito.
No Mato Grosso do Sul, onde a discussão sobre a regulamentação do uso medicinal e científico da cannabis ainda avança a passos lentos, a ACALMS – Flor do Cerrado tem o potencial de se tornar uma referência regional.
Entre suas possíveis missões estão: conscientizar a população, apoiar pesquisas científicas, dialogar com o poder público e, principalmente, garantir que pacientes que dependem do uso medicinal da cannabis tenham acesso digno e seguro ao tratamento..
O que acontece depois da assembleia? Com o estatuto aprovado e a diretoria eleita, a ACALMS poderá finalmente sair do papel e começar a atuar de maneira concreta. O desafio será grande: organizar campanhas educativas, estabelecer parcerias com instituições de pesquisa, dialogar com autoridades locais e, claro, fortalecer a rede de apoio aos pacientes que dependem do uso medicinal da cannabis.
O trabalho começa no dia seguinte à assembleia, mas o dia 11 de janeiro de 2025 será lembrado como o momento em que tudo começou oficialmente.

Integrantes da Associação Cannabis Livre de Mato Grosso do Sul Reprodução
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