Mato Grosso do Sul registrou uma redução expressiva nos índices de fome entre 2022 e 2024. De acordo com dados apresentados durante reunião da Frente Parlamentar de Segurança Alimentar e Nutricional da Assembleia Legislativa (ALEMS), cerca de 198 mil pessoas deixaram a condição de insegurança alimentar grave no período. Apesar do avanço, aproximadamente 64 mil sul-mato-grossenses ainda enfrentam a fome.
O tema foi debatido nesta quarta-feira (17), durante o retorno das atividades da Frente Parlamentar coordenada pelo deputado Pedro Kemp (PT). O encontro reuniu representantes de órgãos públicos, universidades, conselhos, entidades da sociedade civil e movimentos sociais com o objetivo de fortalecer políticas voltadas à garantia do direito humano à alimentação adequada.
Segundo os dados da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia), Mato Grosso do Sul apresentou resultados superiores à média nacional. Em 2024, 80,1% da população vivia em domicílios com segurança alimentar, enquanto 19,9% enfrentavam algum nível de insegurança alimentar. Já a insegurança alimentar grave, que caracteriza a fome, atingia 2,2% da população, contra 3,1% da média brasileira.
A presidente do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Comsan) de Campo Grande, professora doutora Osvaldinete Lopes de Oliveira Silva, destacou que a fome atingia cerca de 262 mil pessoas em Mato Grosso do Sul durante a pandemia, em 2022. Em 2024, esse número caiu para aproximadamente 64 mil pessoas, representando uma redução de 75% em apenas dois anos.
Os indicadores também apontam melhorias em áreas relacionadas à qualidade de vida da população. Entre 2023 e 2024, cerca de 40 mil pessoas deixaram a condição de pobreza no Estado. O rendimento médio real dos trabalhadores passou de R$ 1.432 em 2011 para R$ 3.383 em 2024. No mesmo período, a extrema pobreza caiu de 3,6% para 1%, enquanto a pobreza recuou de 9,9% para 3%.
Durante a reunião, o deputado Pedro Kemp destacou que a atuação da Frente Parlamentar vai além do acompanhamento dos indicadores. Segundo ele, o grupo pretende atuar de forma permanente na identificação das regiões mais vulneráveis e na articulação entre instituições públicas e organizações da sociedade civil para ampliar o acesso à alimentação saudável e de qualidade.
Apesar dos avanços, representantes do setor alertaram para desafios que permanecem. Dados apresentados pelo Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea-MS) apontam que cerca de 200 mil pessoas ainda vivem em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave no Estado. Os impactos atingem principalmente comunidades indígenas, quilombolas, agricultores familiares, povos tradicionais, moradores das periferias urbanas, mulheres chefes de família, crianças e idosos.
Entre as prioridades apontadas para os próximos anos estão o fortalecimento da agricultura familiar, ampliação de feiras livres, implantação de hortas comunitárias, expansão dos bancos de alimentos, criação de novas cozinhas comunitárias e a implantação de um restaurante popular em Campo Grande. As propostas deverão integrar a agenda de trabalho da Frente Parlamentar, criada para promover a articulação e o fortalecimento das políticas públicas de segurança alimentar e nutricional em Mato Grosso do Sul.

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