Gaeco prende 16 suspeitos de esquema que movimentou R$ 27 milhões em compras de livros

Mandados foram cumpridos em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás contra suspeitos de corrupção, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro

07 JUL 2026Por Redação Jota FM10h28
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O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, na manhã desta terça-feira (7), a Operação Gutenberg para desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudar contratos públicos, corromper servidores e lavar dinheiro em Mato Grosso do Sul.

Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em Campo Grande, Caarapó e outros municípios sul-mato-grossenses, além de endereços em São Paulo e Goiás. A investigação aponta que o grupo movimentou mais de R$ 27 milhões em recursos públicos.

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, empresários lideravam o esquema e utilizavam servidores públicos para direcionar compras de livros paradidáticos por meio de contratações sem licitação. Os investigadores também identificaram indícios de lavagem de capitais e afirmam que os contratos investigados permaneciam ativos em diversos municípios.

As apurações indicam que parte do esquema alcançava a área da saúde pública. De acordo com o Ministério Público, servidores cooptados condicionavam a autorização de exames, cirurgias e até vagas em hospitais da rede estadual à aquisição dos livros comercializados pelo grupo investigado.

A investigação aponta que os recursos obtidos com os contratos públicos eram distribuídos entre integrantes da organização, servidores envolvidos e pessoas físicas e jurídicas. Conforme o Gaeco, essa estratégia tinha como objetivo dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.

Além de Campo Grande e Caarapó, as diligências ocorreram em Dourados, São Gabriel do Oeste, Corguinho e Porto Murtinho, além das cidades de São Paulo (SP) e Abadiânia (GO). A operação contou com apoio de equipes do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais (Bope).

De acordo com o Ministério Público, a organização criminosa atuava de forma estruturada, com funções definidas entre seus integrantes e foco em crimes contra a administração pública. Entre os delitos investigados estão fraude em licitações, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O nome da operação faz referência ao inventor Johannes Gutenberg, responsável pela popularização da impressão de livros. Segundo o Ministério Público, a escolha remete ao fato de que os livros eram utilizados pelos investigados para conferir aparência de legalidade ao esquema criminoso apurado.

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