As mudanças climáticas têm provocado irregularidades no regime de chuvas em Mato Grosso do Sul, alterando a distribuição das precipitações ao longo do ano. Esse cenário tem impactado o planejamento das lavouras e impulsionado a adoção de sistemas de irrigação como alternativa produtiva. Em Maracaju, produtores e instituições do setor agrícola discutiram essas mudanças durante um dia de campo.
O encontro ocorreu na Fazenda Real, a cerca de seis quilômetros do centro do município, em uma área total de 700 hectares, dos quais 580 são destinados ao cultivo de milho. O evento reuniu produtores, técnicos e representantes de instituições do setor. A programação contou com apoio de entidades ligadas à pesquisa e ao desenvolvimento rural.
O anfitrião do encontro foi o produtor rural Luiz Carlos Roos, que também preside a Associação dos Irrigantes de Mato Grosso do Sul. Na propriedade, ele mantém um projeto de irrigação com cinco pivôs centrais, sendo dois já implantados em aproximadamente 260 hectares. Segundo ele, a irrigação altera o desempenho das lavouras, com aumento de produtividade em diferentes culturas.
Na comparação apresentada pelo produtor, a soja no sistema de sequeiro alcança cerca de 60 sacas por hectare. Com irrigação, o rendimento chega a 85 sacas por hectare. No caso do milho, o salto produtivo varia de 110 para até 160 sacas por hectare sob irrigação.
Durante o evento, o secretário adjunto da Semadesc, Alex Melotto, destacou a relação entre conhecimento técnico e desempenho das lavouras. Ele afirmou que a difusão de tecnologias é determinante para decisões mais eficientes no campo. Segundo ele, o período é estratégico para planejamento da próxima safra e adoção de novas práticas produtivas.
Mais de 80 variedades de milho foram apresentadas ao longo do dia de campo. As amostras incluem materiais genéticos adaptados a diferentes condições de solo e clima, além de resistência a pragas. A iniciativa teve participação de aproximadamente 300 produtores e profissionais do setor agrícola.
Representantes do poder público municipal também acompanharam a programação. O prefeito de Maracaju destacou a estrutura produtiva local e a presença de instituições de pesquisa no município. Ele citou a atuação de centros como a MS Integração e a Fundação MS no desenvolvimento de tecnologias aplicadas ao campo.
No Estado, o Programa Estadual de Irrigação, chamado MS Irriga, foi lançado em 2024 como estratégia de expansão da área irrigada. O objetivo é ampliar a diversificação da produção e elevar a produtividade agrícola. Dados recentes apontam 320.304 hectares irrigados em Mato Grosso do Sul, quase o triplo registrado há duas décadas, quando eram cerca de 120 mil hectares. Ainda assim, há potencial estimado de 4,7 milhões de hectares passíveis de irrigação no Estado.

Irrigação é aposta para elevar produtividade do milho e driblar irregularidades de chuvasFoto: Divulgação/Semadesc
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