Lideranças indígenas terão representação permanente na governança da Rota Bioceânica

Encontro reuniu representantes de seis etnias em Mato Grosso do Sul e definiu prazo para escolha de membros que acompanharão discussões sobre impactos e oportunidades do corredor

20 JUN 2026Por Redação Jota FM06h45
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Representantes de seis povos indígenas de Mato Grosso do Sul participaram de uma reunião que definiu os próximos passos para a inclusão das comunidades originárias na estrutura de governança da Rota Bioceânica. O encontro estabeleceu o dia 29 de junho como prazo para a indicação dos integrantes que passarão a compor uma comissão permanente ligada ao Corredor Rodoviário Bioceânico de Capricórnio.

A decisão foi tomada durante o evento "Vozes da Rota", que reuniu cerca de 60 lideranças indígenas para discutir os reflexos do corredor internacional nos territórios localizados na área de influência do projeto. Participaram representantes das etnias Terena, Kadiwéu, Atikum, Guarani, Guarani Kaiowá e Kinikinau.

A futura comissão terá a função de acompanhar debates relacionados aos impactos, desafios e oportunidades gerados pela implantação da rota. A proposta prevê a participação direta das comunidades indígenas nas discussões sobre desenvolvimento regional e integração logística.

Durante a programação, representantes do governo estadual apresentaram informações sobre o andamento das obras e os mecanismos de governança do corredor. Entre os temas abordados esteve a construção da ponte internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai, que já ultrapassa 90% de execução.

A reunião também abriu espaço para que as lideranças apresentassem demandas e avaliações sobre os possíveis efeitos da Rota Bioceânica em seus territórios. Questões relacionadas à preservação cultural, desenvolvimento econômico e participação social estiveram entre os assuntos debatidos.

Segundo a secretária-executiva de Agricultura Familiar, Povos Originários e Comunidades Tradicionais da Semadesc, Karla Nadai, o encontro priorizou a escuta das comunidades. "O Estado falou pouco e ouviu muito. Foi uma oportunidade para que eles apresentassem suas expectativas, preocupações e sugestões sobre temas que impactam diretamente suas comunidades", afirmou.

Ela destacou que a iniciativa busca criar um espaço permanente de diálogo entre governo e povos indígenas. "Esse é o primeiro de vários encontros. Estamos estruturando um espaço permanente de participação, onde as discussões possam amadurecer e gerar resultados concretos para os povos originários", declarou.

A assessora especial de Integração do Corredor Bioceânico Capricórnio, Danniele Paiva, afirmou que o objetivo é garantir a participação das comunidades nas decisões relacionadas ao projeto. "O objetivo foi atualizar informações sobre infraestrutura e governança, mas principalmente ouvir seus anseios e perspectivas para que possam se desenvolver preservando sua cultura e suas tradições", disse.

O encontro integra os trabalhos da Comissão Técnica de Cidadania e Povos Originários do Fórum dos Governos Subnacionais do Corredor Bioceânico. A iniciativa busca ampliar a participação social em um dos principais projetos de integração logística e econômica da América do Sul.

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