Uma relação construída ao longo de mais de cinco décadas ganhou documento oficial ma tarde de ontem (1º), em Campo Grande. O Hospital São Julião e a fundação italiana OASI/OMG formalizaram uma parceria mantida há 56 anos, responsável pela chegada de recursos, profissionais e mais de mil voluntários italianos ao Estado.
A assinatura do Termo de Cooperação Internacional ocorreu no Auditório Ney Latorraca, dentro da programação dos 85 anos do Hospital São Julião. A solenidade também marcou os 95 anos da Irmã Silvia Vecellio, presidente de Honra da instituição e uma das principais personagens da transformação do hospital.
Até então, a cooperação entre as organizações era mantida sem um acordo formal.
Ao longo das décadas, engenheiros, arquitetos, médicos, enfermeiros e trabalhadores da construção civil deixaram a Itália para passar períodos em Campo Grande, contribuindo para a recuperação, reconstrução e expansão do hospital.
Parte dos recursos destinados à instituição tinha uma origem pouco convencional. Voluntários italianos recolhiam ferro-velho, papel e outros materiais, que eram vendidos e transformados em recursos enviados ao São Julião.
De antigo leprosário a hospital
Quando a cooperação teve início, o São Julião ainda mantinha características dos antigos hospitais destinados ao isolamento de pessoas com hanseníase.
A chegada dos voluntários italianos coincidiu com um período de reconstrução e mudança no perfil da instituição. Com o passar dos anos, o hospital ampliou os atendimentos e deixou de atuar exclusivamente com pacientes com hanseníase.
Segundo o presidente do Hospital São Julião, Carlos Augusto Melke, mais de mil italianos participaram dessa história desde a década de 1970.
A trajetória também teve momentos simbólicos, como o reencontro entre a Irmã Silvia Vecellio e o prefeito de Turim, Stefano Lo Russo. Quando jovem, Lo Russo esteve entre os voluntários que trabalharam no São Julião há mais de 50 anos. Décadas depois, retornou a Campo Grande como prefeito de uma das maiores cidades da Itália.
Novos projetos estão no horizonte
A formalização da parceria abre espaço para uma nova etapa da relação entre as instituições e reforça a aproximação entre Campo Grande e Turim, cidades-irmãs desde 2002.
Segundo Lo Russo, áreas como inovação, tecnologia e meio ambiente podem abrir caminho para novos projetos conjuntos.
A solenidade contou ainda com a participação do governador Eduardo Riedel, da primeira-dama Mônica Riedel e de representantes diplomáticos italianos, entre eles o embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese, e o cônsul-geral em São Paulo, Mauro Campanella.
Riedel destacou a importância do São Julião para a rede de saúde do Estado e apontou a possibilidade de novas cooperações a partir da aproximação com a Itália.
Hospital projeta expansão
A direção do São Julião também avalia o espaço disponível na área da instituição como uma oportunidade para novos investimentos.
A proposta apresentada por Carlos Melke prevê o aproveitamento da localização do hospital para o desenvolvimento de um complexo de saúde capaz de atender pacientes de diferentes regiões do Estado, eventualmente em parceria com o Governo de Mato Grosso do Sul.
A assinatura do termo representa, portanto, a formalização de uma relação construída por gerações de voluntários e abre caminho para novos projetos de cooperação entre o hospital e a instituição italiana.
Nesta quarta-feira (2), a comitiva italiana cumpre agenda em Campo Grande, com a celebração dos 24 anos do acordo entre Campo Grande e Turim na Prefeitura e visita ao Bioparque Pantanal.

Governador Eduardo Riedel conversa com a irmã Silvia VecellioDivulgação
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