Soja inicia plantio da safra 2026/2027 em Mato Grosso do Sul

Janela de semeadura começa nesta quarta-feira e segue até 31 de dezembro

16 SET 2026Por Assessoria 08h25
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Os produtores de Mato Grosso do Sul já podem iniciar nesta quarta-feira (16) o plantio da soja da safra 2026/2027. A abertura da janela de semeadura ocorre após o fim do vazio sanitário, que começou em 15 de junho e terminou nesta terça-feira (15).

O calendário permite o plantio até 31 de dezembro. Durante o vazio sanitário, fica proibida a manutenção de plantas vivas de soja, incluindo as chamadas guaxas ou tigueras, que nascem espontaneamente após a colheita.

A medida tem como objetivo interromper o ciclo do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem-asiática, e reduzir a pressão da doença sobre as lavouras da nova safra.

Apesar da abertura oficial do calendário, o ritmo de plantio deve variar entre as regiões. A decisão de iniciar a semeadura depende principalmente das condições de umidade do solo, especialmente durante o período de transição entre a estação seca e a chuvosa.

Para setembro, outubro e novembro, a previsão indica chuvas próximas ou acima da média, mas com possibilidade de distribuição irregular. As temperaturas também tendem a ficar acima da média, com possibilidade de períodos de calor intenso.

Produtividade deve ser menor

A estimativa inicial aponta produtividade média de 52,4 sacas de soja por hectare na safra 2026/2027. O número representa uma redução de 13,2% em relação à produtividade registrada no ciclo anterior.

A projeção ainda pode sofrer alterações durante o desenvolvimento das lavouras. Entre os fatores que podem influenciar o resultado estão o volume e a regularidade das chuvas, as temperaturas, o manejo das plantações e a ocorrência de pragas e doenças.

A safra anterior apresentou desempenho superior ao inicialmente esperado. Em abril, a estimativa de produtividade da temporada 2025/2026 foi revisada para 61,73 sacas por hectare, após a ampliação das avaliações de campo.

Custos passam de R$ 5 mil por hectare

O início da nova temporada ocorre em um cenário de custos elevados para os produtores. A estimativa é de R$ 5.024,82 para produzir um hectare de soja, considerando como referência a produtividade de 52,4 sacas e o preço de R$ 119,52 por saca.

Nesse cenário, o produtor precisa colher aproximadamente 42,04 sacas por hectare apenas para cobrir o custo total da produção.

Mantida a produtividade de referência de 52,4 sacas, a margem líquida projetada é de R$ 1.238,03 por hectare.

Para produtores que trabalham em áreas arrendadas, o custo é maior. Considerando um arrendamento equivalente a 15 sacas por hectare, a estimativa sobe para R$ 6.817,62 por hectare, enquanto o ponto de equilíbrio passa para 57,04 sacas por hectare.

Produtores preparam as lavouras

Com a abertura da janela de plantio, os produtores concentram os trabalhos na preparação das áreas. Entre as atividades estão análise e correção do solo, adubação, revisão de máquinas, aquisição de sementes e defensivos e dessecação das lavouras.

O controle de plantas daninhas antes da entrada das máquinas também está entre os pontos de atenção. A orientação é manter as áreas limpas para reduzir a competição com a soja desde os primeiros estágios de desenvolvimento.

A medida é importante diante da presença de plantas invasoras como a buva, que pode dificultar o estabelecimento da cultura e aumentar a competição por água, luz e nutrientes.

Vazio sanitário chega ao fim

Durante os 90 dias do vazio sanitário, os produtores precisaram eliminar plantas de soja que permanecessem vivas nas propriedades. A regra também alcança as plantas voluntárias, conhecidas como guaxas ou tigueras.

A medida busca reduzir a sobrevivência da ferrugem-asiática durante a entressafra. Sem plantas hospedeiras, a quantidade de inóculo do fungo tende a diminuir, reduzindo a pressão da doença no início do novo ciclo.

Foram identificadas 70 ocorrências de ferrugem-asiática na safra 2025/2026, contra 12 registros no ciclo anterior.

A janela de semeadura da soja em Mato Grosso do Sul fica aberta de 16 de setembro a 31 de dezembro de 2026. O cadastro das áreas plantadas também é obrigatório.

Com o calendário oficialmente aberto, os produtores iniciam uma nova etapa da safra. O ritmo do plantio deverá acompanhar as condições de cada região, principalmente a umidade disponível no solo e a regularidade das primeiras chuvas.

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