Fiocruz alerta Senado sobre riscos da liberação de cigarros eletrônicos

O assunto foi retirado da pauta no Senado nesta terça-feira

20 AGO 2024 Por Redação Sidrolândia 20h26

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) manifestou preocupação em uma carta enviada ao Senado Federal, diante da possibilidade de liberação dos dispositivos eletrônicos para fumar (DEF), conhecidos como cigarros eletrônicos ou vapes, no Brasil. A discussão sobre o tema estava agendada para ocorrer nesta terça-feira (20), no Congresso Nacional, através da votação do Projeto de Lei (PL) 5008. No entanto, o PL foi retirado da pauta.

O documento, elaborado pelo Centro de Estudos sobre Tabaco e Saúde (Cetab/Ensp/Fiocruz), reafirma o apoio da Fiocruz à Resolução RDC 855/2024 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que proíbe a comercialização, fabricação, importação e publicidade dos DEF no país. A Fiocruz também se alinha às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e de entidades da sociedade civil, como a Associação Médica Brasileira (AMB) e a ACT Promoção da Saúde, todas contrárias à liberação desses dispositivos.

A carta destaca um alerta emitido pela OMS em 2023, que aponta os efeitos adversos dos cigarros eletrônicos para a saúde pública. Entre os riscos mencionados estão danos respiratórios e cardiovasculares, além de potenciais efeitos neurotóxicos. A preocupação com o impacto a longo prazo do uso desses dispositivos é também sublinhada pela OMS.

Além dos riscos à saúde, a Fiocruz critica as práticas de marketing adotadas pelos fabricantes de DEF, que, segundo a instituição, têm como alvo o público jovem, contradizendo as afirmações de que os produtos seriam voltados exclusivamente para fumantes adultos. A utilização de redes sociais para publicidade e o patrocínio de eventos são mencionados como exemplos de estratégias que buscam atrair consumidores mais jovens, aumentando a exposição dessa faixa etária a riscos significativos.

A Fiocruz argumenta ainda que, ao contrário do que alegam os fabricantes, os DEF aumentam o risco de dependência à nicotina e expõem os usuários a substâncias potencialmente cancerígenas, como nitrosaminas e formaldeído, além de metais pesados. O uso de solventes, como glicerina e propilenoglicol, e de aromatizantes que tornam esses dispositivos atraentes especialmente para crianças e jovens, é outro ponto de preocupação destacado pela instituição.

O posicionamento da Fiocruz reflete uma preocupação ampla com a saúde pública, apontando para os perigos potenciais da liberação dos cigarros eletrônicos no país, especialmente em relação à população mais jovem.

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