O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Ministério Público realizaram nesta terça-feira (15) uma fiscalização no atrativo turístico Praia da Figueira, localizado na zona rural de Bonito (MS), após o registro de 14 incidentes com mordidas de peixes em banhistas, entre janeiro e março deste ano. A cidade é considerada referência nacional em ecoturismo.
Segundo a Secretaria de Saúde do município, os ataques ocorreram no lago artificial do atrativo. A gravidade das ocorrências levou uma equipe do Ibama a vistoriar o local com apoio de quatro agentes e um biólogo especialista em espécies de peixes.
A analista ambiental do Ibama, Fabiane Souza, explicou que o objetivo da ação é identificar a possível presença de espécies exóticas no local. “A gente precisa saber de onde esses animais vieram, a origem deles, para entender como foram introduzidos aqui. Espécies exóticas podem causar sérios impactos no ecossistema local”, afirmou.

O biólogo José Sabino, professor visitante da Universidade de Campinas (Unicamp), também participou da fiscalização e destacou os riscos ecológicos. “Caso essas espécies entrem nas nascentes de rios como o Formoso, isso pode configurar uma invasão biológica com consequências ambientais graves.”
A Praia da Figueira chegou a ser interditada em março pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), após os primeiros registros de ataques. O local foi parcialmente reaberto no último dia 10, com a instalação de grades de contenção para evitar o acesso de peixes de médio e grande porte às áreas destinadas a banho, bar molhado e tirolesa.

Durante a vistoria, os fiscais usaram drones e também realizaram mergulhos para coletar imagens e amostras. Um laudo técnico será elaborado nos próximos 20 dias para identificar as espécies envolvidas e as causas dos ataques.
De acordo com o Ibama, há suspeita de que os incidentes tenham sido causados por espécies como o tambaqui, tambacu (híbrido entre tambaqui e pacu) ou até um pacu de grande porte. Por serem espécies da bacia amazônica, o tambaqui e o tambacu são considerados exóticos na região do rio Paraguai e não podem ser criados em sistemas turísticos, conforme explicou Fabiane Souza.
“A dentição dessas espécies e sua dieta baseada em alimentos duros, como cocos, aumentam a chance de incidentes com humanos”, destacou a analista.
A introdução de espécies exóticas é regulamentada pela Lei Federal nº 140/2011, que estabelece que a União é responsável por controlar esse tipo de ação, com o objetivo de proteger a biodiversidade local e evitar a competição com espécies nativas.
O Ministério Público também acompanha o caso. O promotor de Justiça Alexandre Estuqui Junior alertou que, caso fique comprovada a presença irregular de espécies exóticas, o órgão pode ingressar com uma ação civil pública para solicitar o fechamento do atrativo e a retirada dos peixes.
O gerente da Praia da Figueira, Alex Kossmann, negou que o local tenha introduzido espécies exóticas. Ele atribui os acidentes ao comportamento dos próprios turistas, que frequentemente desrespeitam as normas do local. “Tivemos mais de 26 mil visitantes em três meses e apenas 14 incidentes. Na maioria dos casos, os próprios clientes admitiram que estavam alimentando os peixes, o que é proibido. Temos sinalização e entregamos panfletos com orientações na entrada”, afirmou.
O resultado da fiscalização será divulgado oficialmente após a conclusão do laudo técnico.
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