Onça que matou caseiro no Pantanal é capturada

Animal foi capturado três dias após o ataque que matou Jorge Avalos; onça será encaminhada ao CRAS para avaliação e investigação do comportamento atípico.

24 ABR 2025 Por Evandro Silva 13h48

A onça que atacou e matou o caseiro Jorge Avalos, de 60 anos, na região do Touro Morto, no Pantanal de Aquidauana, foi capturada na madrugada desta quinta-feira (24). O animal será transferido para o CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), em Campo Grande, onde passará por avaliação.

O ataque aconteceu na última segunda-feira (21), por volta das 5h30, quando Jorge, que vivia sozinho em um pesqueiro da região, preparava café. A suspeita é que ele tenha sido surpreendido pela onça dentro da casa, tentado fugir, mas acabou sendo atacado e arrastado para a mata. Restos mortais foram encontrados no dia seguinte, terça-feira (22), por equipes da Polícia Militar Ambiental (PMA), com auxílio de um helicóptero.

Segundo a PMA, a onça capturada é um macho adulto, visivelmente mais magro que o habitual, pesando 94 quilos. Ela foi localizada a poucos metros do local do ataque. Cerca de 10 militares participaram da operação de captura, utilizando armadilhas específicas com laços que evitam ferimentos no animal.

Durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (23), o Secretário Adjunto da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Artur Falcette, destacou a importância da captura para que o caso seja compreendido. “É muito importante capturar esse animal para preencher algumas lacunas, especialmente para entendermos quais os motivos que podem ter levado ele a demonstrar esse comportamento tão atípico”, afirmou.

Também participaram das buscas um professor pesquisador da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), especialista em grandes mamíferos, e 12 policiais ambientais. A investigação irá avaliar as condições de saúde do animal, seu histórico comportamental e possíveis fatores que o levaram a agir com agressividade.

O coronel José Carlos Rodrigues, da PMA, reforçou que esse tipo de ataque é extremamente raro na região. “Não é um comportamento normal. Não há relatos de ataques semelhantes naquela área. Esse foi o primeiro, e nosso foco agora é evitar novos incidentes”, declarou.

Autoridades também alertaram para o perigo da prática ilegal conhecida como ceva, que consiste em alimentar onças para atrair os animais para fotos e observação por turistas. Além de ser crime ambiental, a prática representa um risco sério tanto para humanos quanto para os próprios animais.

O pesqueiro onde o ataque ocorreu não será interditado por ser uma propriedade particular, mas a orientação é que moradores e visitantes evitem alimentar animais silvestres ou provocar aproximações.

Como o caso repercutiu nacionalmente, imagens que circulam nas redes sociais — incluindo vídeos e fotos do ataque e do cotidiano do local — serão encaminhadas para perícia. “Amanhã, as câmeras de gravação, vídeos e fotos que mostram a lida do dia a dia com os animais seguirão para a perícia. Então, provavelmente, nos próximos dias teremos os resultados”, finalizou Falcette.

 

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