Morre Divaldo Franco, aos 98 anos, referência do espiritismo no Brasil

Médium e fundador da Mansão do Caminho faleceu em Salvador após falência múltipla dos órgãos; ele lutava contra um câncer na bexiga desde 2024.

14 MAI 2025 Por Redação Jota FM 99.5 12h41

Divaldo Franco, um dos mais influentes líderes do espiritismo no Brasil, faleceu na noite desta terça-feira (13), aos 98 anos, em Salvador. O médium estava em tratamento contra um câncer na bexiga e teve falência múltipla dos órgãos. O óbito foi constatado às 21h45, na sede da Mansão do Caminho, instituição que fundou e onde vivia, no bairro Pau da Lima.

A despedida ao público será realizada nesta quarta-feira (14), das 9h às 20h, no ginásio de esportes da Mansão do Caminho. A cerimônia respeitará um pedido deixado por Divaldo: será breve, sem cortejo em carro aberto, com o caixão fechado. O sepultamento acontecerá na manhã de quinta-feira (15), no Cemitério Bosque da Paz.

Natural de Feira de Santana (BA), Divaldo dedicou mais de sete décadas ao espiritismo. Foi autor de mais de 250 livros — muitos deles psicografados — e percorreu o mundo promovendo a doutrina espírita com palestras, entrevistas e seminários. Em 1952, fundou a Mansão do Caminho, que se tornou um dos maiores projetos sociais ligados ao espiritismo no país, acolhendo e educando milhares de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade.

Ao longo de sua trajetória, o médium foi reconhecido não apenas pela atuação religiosa, mas também pelo impacto social. A Mansão do Caminho transformou-se em um complexo educacional e assistencial com escolas, cursos profissionalizantes e atendimento de saúde para famílias de baixa renda. Tudo mantido por doações, venda de livros e gravações de palestras.

Divaldo enfrentou uma infância marcada por dificuldades. Último de 12 irmãos, manifestou dons mediúnicos desde pequeno, mas sofreu repressão e incompreensão da própria família. Só na adolescência teve a mediunidade reconhecida e orientada, quando foi diagnosticado espiritualmente por uma médium, após meses de adoecimento físico e psicológico.

Embora não tenha tido filhos biológicos, Divaldo considerava como filhos os mais de 600 jovens que acolheu e acompanhou pessoalmente ao longo dos anos. Em 2015, sua vida foi retratada em biografia assinada pela jornalista Ana Landi.

Com a morte de Divaldo Franco, o espiritismo brasileiro perde uma de suas figuras mais carismáticas e ativas, cujo legado de amor, caridade e educação continuará inspirando gerações.

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