Divaldo Franco, um dos mais influentes líderes do espiritismo no Brasil, faleceu na noite desta terça-feira (13), aos 98 anos, em Salvador. O médium estava em tratamento contra um câncer na bexiga e teve falência múltipla dos órgãos. O óbito foi constatado às 21h45, na sede da Mansão do Caminho, instituição que fundou e onde vivia, no bairro Pau da Lima.
A despedida ao público será realizada nesta quarta-feira (14), das 9h às 20h, no ginásio de esportes da Mansão do Caminho. A cerimônia respeitará um pedido deixado por Divaldo: será breve, sem cortejo em carro aberto, com o caixão fechado. O sepultamento acontecerá na manhã de quinta-feira (15), no Cemitério Bosque da Paz.
Natural de Feira de Santana (BA), Divaldo dedicou mais de sete décadas ao espiritismo. Foi autor de mais de 250 livros — muitos deles psicografados — e percorreu o mundo promovendo a doutrina espírita com palestras, entrevistas e seminários. Em 1952, fundou a Mansão do Caminho, que se tornou um dos maiores projetos sociais ligados ao espiritismo no país, acolhendo e educando milhares de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade.
Ao longo de sua trajetória, o médium foi reconhecido não apenas pela atuação religiosa, mas também pelo impacto social. A Mansão do Caminho transformou-se em um complexo educacional e assistencial com escolas, cursos profissionalizantes e atendimento de saúde para famílias de baixa renda. Tudo mantido por doações, venda de livros e gravações de palestras.
Divaldo enfrentou uma infância marcada por dificuldades. Último de 12 irmãos, manifestou dons mediúnicos desde pequeno, mas sofreu repressão e incompreensão da própria família. Só na adolescência teve a mediunidade reconhecida e orientada, quando foi diagnosticado espiritualmente por uma médium, após meses de adoecimento físico e psicológico.
Embora não tenha tido filhos biológicos, Divaldo considerava como filhos os mais de 600 jovens que acolheu e acompanhou pessoalmente ao longo dos anos. Em 2015, sua vida foi retratada em biografia assinada pela jornalista Ana Landi.
Com a morte de Divaldo Franco, o espiritismo brasileiro perde uma de suas figuras mais carismáticas e ativas, cujo legado de amor, caridade e educação continuará inspirando gerações.
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