Golpe contra mãe de Adriano Imperador expõe avanço de fraudes digitais

Especialista em MS orienta vítimas a acionar banco antes de registrar ocorrência policial

27 JAN 2026 Por Redação Jota FM 14h42

O relato do ex-jogador Adriano Imperador sobre um golpe envolvendo transferência via Pix reacendeu o alerta para fraudes digitais no país. A mãe do ex-atacante perdeu pouco mais de R$ 15 mil após criminosos se passarem por ele em aplicativo de mensagens. O caso ganhou repercussão nacional nas redes sociais.

Adriano afirmou que não trocou de número de telefone. O ex-jogador disse que os golpistas usaram um contato falso para pedir dinheiro. Ele cobrou a devolução do valor transferido.

Casos semelhantes também são registrados em Mato Grosso do Sul. Golpes envolvendo Pix, cartões e pagamentos digitais estão entre os mais frequentes no Estado. A avaliação é da advogada Larissa Brandão, presidente da Comissão de Defesa do Direito do Consumidor da OAB/MS.

Larissa Brandão abordou o tema durante entrevista ao podcast Elas Podem Mais, da Jota FM. Segundo ela, estelionatários atuam com diferentes estratégias e exploram falhas de segurança. A especialista citou ocorrências como golpe do WhatsApp, falsa venda, falso leilão e falso advogado.

“Hoje nós temos o golpe da falsa compra, o golpe do WhatsApp, o falso leilão e, mais recentemente, o golpe do falso advogado, que tem atingido muita gente”, afirmou. Ela destacou que criminosos utilizam dados vazados para tornar as abordagens mais convincentes. “Eles se aproveitam do vazamento de dados e criam situações muito convincentes, com mensagens urgentes e informações reais”.

A advogada explicou que a tecnologia ampliou a capacidade de fraude. “Com a captação de som e imagem e o uso de inteligência artificial, os crimes virtuais cresceram muito”, disse. “O estelionatário não precisa mais estar perto da vítima para aplicar o golpe”.

Segundo Larissa Brandão, a principal orientação é agir rapidamente. “A primeira coisa não é ir à delegacia”, afirmou. “É entrar em contato com o banco, acionar o mecanismo de contestação, anotar o protocolo e tentar o bloqueio do valor”.

Ela também defendeu a responsabilização das instituições financeiras. “O ato principal é a falha na segurança das instituições financeiras, tanto do banco pagador quanto do banco recebedor”, disse. Para a especialista, movimentações atípicas deveriam gerar bloqueio automático.

A chance de recuperação do dinheiro ainda é baixa. “Hoje, apenas cerca de 10% dos casos conseguem reaver os valores”, afirmou. Quando não há devolução, a recomendação é registrar ocorrência policial e buscar orientação jurídica.

No caso de Pix feito por engano, Larissa Brandão explicou que a lógica é diferente. “Quem recebeu não pode ficar com um valor que não é seu”, disse. Segundo ela, o consumidor deve procurar o banco e, se necessário, recorrer à Justiça para reaver a quantia.

A especialista reforçou que atenção e conferência dos dados antes de qualquer pagamento são medidas essenciais. A orientação vale para transferências, boletos e compras online. A prevenção ainda é a principal forma de evitar prejuízos.

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