Mato Grosso do Sul deve enfrentar um trimestre com temperaturas acima da média histórica e risco de ondas de calor, sob influência do El Niño. A previsão do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) também indica chuvas acima da média entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, mas com distribuição irregular entre regiões e municípios.
O cenário inclui períodos de estiagem intercalados com episódios de chuva intensa. O aquecimento durante o dia favorece a formação de tempestades de curta duração, que podem provocar vendavais, raios e queda de granizo.
A meteorologista e coordenadora do Cemtec, Valesca Fernandes, explica que a condição climática não deve se manifestar de maneira uniforme em todo o Estado. Segundo ela, a previsão aponta tendência de precipitação acima da média, mas não descarta diferenças significativas entre localidades.
“O trimestre, entre novembro e janeiro, tem tendência de chuvas acima da média, mas podem ocorrer períodos de estiagem, distribuição irregular, diferenças significativas entre regiões e municípios”, afirmou.
O El Niño deve permanecer ativo no período e pode atingir a categoria muito forte. Apesar da previsão de mais chuva no acumulado, os episódios de calor intenso podem ocorrer em meio a intervalos secos.
O quadro também difere do registrado em 2023 e 2024, quando o El Niño forte esteve associado a temperaturas elevadas e déficit expressivo de chuva, condições que favoreceram a propagação de grandes queimadas. Conforme Valesca, Mato Grosso do Sul já registrou ondas de calor e temperaturas acima da média histórica.
Saúde prepara profissionais para eventos extremos
Enquanto a previsão aponta riscos climáticos para os próximos meses, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) já capacitou 675 profissionais para atender possíveis impactos do El Niño. A preparação inclui situações como secas, queimadas, ondas de calor e chuvas intensas.
Os treinamentos começaram em agosto e alcançaram as nove regiões de saúde, além de Campo Grande, Porto Murtinho e profissionais da saúde indígena. As atividades incluem orientações clínicas, protocolos de emergência e avaliação da estrutura dos municípios para responder a ocorrências extremas.
Porto Murtinho foi incluído no plano estadual e recebeu capacitações nos dias 20 e 21 de outubro, com mais de 25 profissionais. A preparação considera a importância do município na Rota Bioceânica.
Entre os polos regionais, Bonito teve 101 profissionais capacitados, seguido por Coxim, com 77, e Campo Grande, com 76. Também houve treinamentos em Dourados, Corumbá, Nova Andradina, Chapadão do Sul, Ponta Porã e Três Lagoas.
Em 31 de agosto, 51 integrantes do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) participaram de uma atividade voltada ao atendimento de populações vulneráveis.
O coordenador do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) da SES, Karyston Adriel da Costa, destacou a importância de reconhecer precocemente os riscos à saúde associados aos eventos climáticos extremos e adotar os procedimentos adequados para prevenir complicações.
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