El Niño pode provocar onda de calor e chuvas irregulares em MS

Previsão para novembro a janeiro indica temperaturas acima da média e precipitação irregular; Estado já capacitou 675 profissionais de saúde para enfrentar eventos climáticos extremos

24 OUT 2026 Por Redação Jota FM 06h15

Mato Grosso do Sul deve enfrentar um trimestre com temperaturas acima da média histórica e risco de ondas de calor, sob influência do El Niño. A previsão do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) também indica chuvas acima da média entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, mas com distribuição irregular entre regiões e municípios.

O cenário inclui períodos de estiagem intercalados com episódios de chuva intensa. O aquecimento durante o dia favorece a formação de tempestades de curta duração, que podem provocar vendavais, raios e queda de granizo.

A meteorologista e coordenadora do Cemtec, Valesca Fernandes, explica que a condição climática não deve se manifestar de maneira uniforme em todo o Estado. Segundo ela, a previsão aponta tendência de precipitação acima da média, mas não descarta diferenças significativas entre localidades.

“O trimestre, entre novembro e janeiro, tem tendência de chuvas acima da média, mas podem ocorrer períodos de estiagem, distribuição irregular, diferenças significativas entre regiões e municípios”, afirmou.

O El Niño deve permanecer ativo no período e pode atingir a categoria muito forte. Apesar da previsão de mais chuva no acumulado, os episódios de calor intenso podem ocorrer em meio a intervalos secos.

O quadro também difere do registrado em 2023 e 2024, quando o El Niño forte esteve associado a temperaturas elevadas e déficit expressivo de chuva, condições que favoreceram a propagação de grandes queimadas. Conforme Valesca, Mato Grosso do Sul já registrou ondas de calor e temperaturas acima da média histórica.

Saúde prepara profissionais para eventos extremos

Enquanto a previsão aponta riscos climáticos para os próximos meses, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) já capacitou 675 profissionais para atender possíveis impactos do El Niño. A preparação inclui situações como secas, queimadas, ondas de calor e chuvas intensas.

Os treinamentos começaram em agosto e alcançaram as nove regiões de saúde, além de Campo Grande, Porto Murtinho e profissionais da saúde indígena. As atividades incluem orientações clínicas, protocolos de emergência e avaliação da estrutura dos municípios para responder a ocorrências extremas.

Porto Murtinho foi incluído no plano estadual e recebeu capacitações nos dias 20 e 21 de outubro, com mais de 25 profissionais. A preparação considera a importância do município na Rota Bioceânica.

Entre os polos regionais, Bonito teve 101 profissionais capacitados, seguido por Coxim, com 77, e Campo Grande, com 76. Também houve treinamentos em Dourados, Corumbá, Nova Andradina, Chapadão do Sul, Ponta Porã e Três Lagoas.

Em 31 de agosto, 51 integrantes do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) participaram de uma atividade voltada ao atendimento de populações vulneráveis.

O coordenador do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) da SES, Karyston Adriel da Costa, destacou a importância de reconhecer precocemente os riscos à saúde associados aos eventos climáticos extremos e adotar os procedimentos adequados para prevenir complicações.

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