Facção pagava propina a policial para enviar drogas e celulares a presídio

Investigação do Ministério Público aponta que grupo usava arremessos e drones para levar drogas e celulares ao presídio de segurança máxima; operação cumpriu mandados em quatro estados

13 MAR 2026 Por Redação Jota FM 15h19

Integrantes de facção criminosa pagavam propina a um policial militar para facilitar a entrada de drogas e celulares no presídio de segurança máxima de Campo Grande.

O esquema foi identificado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) durante investigação que resultou na Operação Pombo Sem Asas. O grupo também utilizava drones e arremessos manuais para enviar os materiais ao interior da unidade.

A investigação começou após a prisão de um ex-policial militar em 2022. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), o agente recebia pagamentos para permitir a entrada de objetos proibidos. O esquema funcionava enquanto ele atuava na vigilância da unidade prisional.

A apuração identificou civis responsáveis por corromper o policial. Os investigados foram apontados como integrantes de organização criminosa. Parte do grupo também atuava no tráfico de drogas fora do sistema prisional.

Conversas interceptadas indicaram que os envios ocorriam com frequência. Drogas e celulares eram lançados para dentro do presídio ou transportados por drones. Os equipamentos eram chamados pelos envolvidos de “pombos”.

As mensagens analisadas pela investigação mostram que o esquema funcionava com maior facilidade durante a atuação do policial. O fluxo de envios era reduzido apenas aos fins de semana. Nos demais dias, a entrada de materiais ilícitos ocorria com regularidade.

A operação cumpriu 25 mandados de prisão preventiva. Até o momento, seis investigados permanecem foragidos. As ordens judiciais foram executadas em quatro estados.

Equipes realizaram prisões e buscas em Itanhaém e Martinópolis, no estado de São Paulo. Mandados também foram cumpridos em Mossoró, no Rio Grande do Norte, e em Colniza, no Mato Grosso. Parte dos investigados já estava presa por outros crimes.

Durante as diligências, os agentes encontraram pequena quantidade de cocaína. Também foram apreendidas balanças de precisão e acessórios de celulares. Os materiais seriam destinados ao envio para presídios.

Os investigadores apreenderam ainda 20 aparelhos celulares com os suspeitos. A polícia não divulgou estimativa do valor total movimentado pelo grupo. A apuração identificou, no entanto, transferências bancárias de cerca de R$ 120 mil feitas ao policial envolvido.

Leia Também