O empresário Carlos Bernardo, pré-candidato a deputado federal pelo União Brasil, criticou o valor atual do salário mínimo e afirmou que a renda dos trabalhadores não acompanha o custo das despesas básicas. Durante entrevista ao Jornal Ronda do MS, ele também defendeu mudanças em programas sociais, redução da burocracia e medidas para estimular a qualificação profissional.
Bernardo afirmou que pretende se posicionar fora da divisão tradicional entre esquerda e direita e disse que sua prioridade será apoiar propostas que considere favoráveis à população. Na entrevista, ele relacionou o baixo poder de compra dos trabalhadores aos gastos com moradia, energia, alimentação e medicamentos.
“Eu sou do centro, eu consigo avaliar o que é bom para o nosso povo. Não importa o lado de onde saiu a ideia.”
Segundo o pré-candidato, o salário mínimo atual não permite que muitas famílias mantenham as despesas básicas. Ele comparou o rendimento mensal de um trabalhador ao preço de alimentos e afirmou que a renda disponível diminui rapidamente após o pagamento das contas domésticas.
“Está ruim para quem paga em função da alta taxa que é acrescida. A pessoa ganha um salário mínimo, só que esse salário mínimo é acrescido de FGTS e outras férias, décimo terceiro, que encarece para o empregador e chega no bolso do empregado muito pouco.”
Bernardo também defendeu uma revisão na forma como programas sociais são concedidos e afirmou que os beneficiários deveriam receber incentivos para buscar formação profissional. Para ele, a assistência deveria estar acompanhada de mecanismos que estimulem a entrada ou permanência no mercado de trabalho.
“O governo tem que estar cobrando isso, para que o povo tenha especialização em trabalho.”
Na avaliação do empresário, jovens também precisam ser estimulados a buscar cursos técnicos e formação superior. Ele citou instituições como Senai e Senac e afirmou que faltam mecanismos para aproximar os estudantes dessas oportunidades.
“Criar atrativo para que o nosso jovem vá fazer especialização, vá estudar, vá fazer grado, vai virar médico, vai virar engenheiro, vai virar arquiteto, não está tendo incentivo.”
Críticas à burocracia no agro
Outro ponto abordado por Bernardo foi a situação financeira do setor agropecuário. Ele afirmou que as dificuldades não atingem apenas grandes produtores e citou também agricultores familiares e médios produtores entre os grupos afetados por juros e dificuldades de acesso a crédito.
“Não é o grande agro não. Não é só o grande agro não. Nós estamos falando do médio agro e da agricultura familiar também.”
O empresário também criticou regras sanitárias e ambientais que, segundo ele, dificultam a produção e a comercialização em pequenas propriedades rurais. Ele defendeu mudanças que permitam aos produtores vender itens como ovos, leite, queijo e outros alimentos produzidos em pequena escala.
“Esse monte de lei está engessando o povo de viver, o povo de trabalhar, e o povo de ter condições.”
Bernardo ainda criticou a concentração de recursos em grandes empresas e afirmou que pequenos e médios empresários enfrentam dificuldades para conseguir financiamento. Na entrevista, ele também questionou os efeitos de medidas tributárias e afirmou que o país precisa reduzir a burocracia para estimular a atividade econômica.
“O dinheiro que você, empresário, precisa, você não tem acesso.”
Comparação com o Paraguai
A situação econômica do Paraguai também foi discutida durante a entrevista. Bernardo comparou os salários mínimos dos dois países e defendeu uma política brasileira que, na avaliação dele, permita maior poder de compra aos trabalhadores.
“E o salário mínimo brasileiro tinha que estar no mínimo a mil dólares.”
O empresário também citou Portugal, França, Ucrânia e China como exemplos de países com salários que, segundo ele, oferecem maior capacidade de consumo. Ele ainda criticou a falta de grandes obras de infraestrutura no Brasil e mencionou investimentos em ferrovias, pontes e outras estruturas.
“O Estado está paralisado, meu irmão. Não está tendo nada de grandes obras.”
Educação e saúde
Na educação, Bernardo afirmou que Mato Grosso do Sul perdeu instituições de ensino superior em municípios do interior e criticou o fechamento de escolas rurais. Para ele, a redução da oferta de cursos faz com que estudantes deixem o Estado em busca de formação e, posteriormente, permaneçam em outras regiões.
“Não está tendo faculdades habilitadas em Mato Grosso do Sul para atender à demanda do cidadão, da gente que quer estudar.”
Na saúde, o empresário relatou situações de pacientes que, segundo ele, aguardaram atendimento por falta de vagas em hospitais de referência. Ele defendeu mudanças na estrutura de atendimento e afirmou que episódios envolvendo acidentes podem sobrecarregar rapidamente as unidades de Dourados, Campo Grande e Três Lagoas.
“A nossa saúde, se o camarada se acidenta ali, o outro se acidenta, dois, três, quatro se acidentam, já colapsa.”
Hospital binacional na fronteira
Ao final da entrevista, Bernardo voltou a defender a construção de um hospital binacional de alta complexidade na fronteira entre Mato Grosso do Sul e Paraguai. Ele afirmou que o projeto está em discussão desde 2022, possui terreno adquirido e depende de articulação política para avançar na busca por recursos.
“Nós já estamos com o projeto da Interamericana e o outro, tem dois projetos paralelos lá, um do hospital escola e o outro é do hospital binacional de fronteira.”
Segundo Bernardo, o projeto da Universidade Interamericana prevê um hospital-escola com cerca de 40 a 50 leitos, enquanto a proposta binacional teria estrutura maior e seria voltada a atendimentos de alta complexidade. Ele afirmou que pretende buscar apoio dos governos brasileiro e paraguaio e da Itaipu para viabilizar a construção.
“Nós estamos angariando apoio e está muito bom, sabe? Está muito bom, agora já foram aprovadas umas leis lá, tanto em Ponta Porã, como em Pedro Juan e também no Paraguai.”
O pré-candidato também afirmou que a manutenção do hospital poderia envolver recursos públicos e participação dos municípios atendidos. Segundo ele, a proposta é criar um sistema com colaboradores e usuários para ajudar a financiar a estrutura.
“Nós já esperamos, já temos planos que vai no mínimo 20 mil membros fazendo parte desse sistema e que vai ajudar a manter o hospital já, junto com o apoio do Governo Federal e também do Governo Nacional.”
Confira a entrevista completa:

Carlos Bernardo é pré-candidato a deputado federal pelo União BrasilFoto: Mateus Adriano/Jota FM
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