Cesta básica sobe novamente e pesa mais no orçamento das famílias campo-grandenses

Campo Grande registra sexta cesta básica mais cara entre capitais brasileiras pesquisada

09 JUL 2026Por Toni Feitosa - DRT 100606h58
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O custo da cesta básica voltou a subir em Campo Grande e continua pressionando o orçamento das famílias. Em junho, o conjunto dos alimentos essenciais registrou alta de 0,58% em relação ao mês anterior e passou a custar R$ 846,06, colocando a capital sul-mato-grossense entre as seis cidades com a cesta básica mais cara do Brasil, segundo levantamento divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O resultado reforça a tendência de aumento observada ao longo de 2026. Conforme o estudo, a cesta básica acumula alta de 9,04% no ano e avanço de 6,69% nos últimos 12 meses.

Com esse desempenho, Campo Grande ocupa a sexta posição no ranking nacional entre as 27 capitais pesquisadas, ficando atrás apenas de São Paulo, Cuiabá, Rio de Janeiro, Florianópolis e Porto Alegre.

Dos 13 produtos que compõem a cesta básica, cinco apresentaram aumento de preço em junho. A batata liderou a lista, com alta de 10,88%, seguida pela banana (3,27%), feijão-carioca (2,71%), tomate (2,21%) e pão francês (1,34%).

Em contrapartida, oito itens ficaram mais baratos no período. As principais reduções ocorreram no leite integral, com queda de 3,17%, óleo de soja (-3,01%), arroz agulhinha (-2,20%), carne bovina de primeira (-1,46%), farinha de trigo (-1,15%), açúcar cristal (-0,97%), manteiga (-0,78%) e café em pó (-0,39%).

Na comparação com junho de 2025, o feijão-carioca foi o produto que mais encareceu em Campo Grande, acumulando alta de 48,84%. Também registraram aumentos expressivos a batata (45,28%) e o tomate (24,66%).

Por outro lado, os maiores recuos no período de 12 meses foram observados no açúcar cristal, que caiu 24,88%, seguido pelo arroz agulhinha (-18,20%) e pelo café em pó (-15,30%).

O levantamento também evidencia o impacto da inflação dos alimentos sobre a renda dos trabalhadores. Para comprar a cesta básica em junho, um trabalhador remunerado com o salário mínimo precisou comprometer 114 horas e 50 minutos de trabalho.

Na prática, a aquisição dos produtos essenciais consumiu 56,43% do salário mínimo líquido, já descontada a contribuição previdenciária.

No cenário nacional, a cesta básica ficou mais cara em 17 das 27 capitais pesquisadas pelo Dieese. As maiores altas mensais foram registradas em Boa Vista (3,28%), Palmas (3,01%), Rio Branco (2,20%) e Porto Alegre (2,18%).

São Paulo manteve a liderança entre as capitais com a cesta básica mais cara do país, com custo médio de R$ 965,47. Em seguida aparecem Cuiabá (R$ 937,93), Rio de Janeiro (R$ 920,94), Florianópolis (R$ 918,42), Porto Alegre (R$ 889,58) e Campo Grande, com R$ 846,06.

Com base no valor da cesta básica mais cara do Brasil, o Dieese estima que o salário mínimo necessário para atender às despesas de uma família deveria ser de R$ 8.110,92, aproximadamente cinco vezes superior ao salário mínimo atualmente em vigor.

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